Ibovespa teve queda de 6,44% e 6 especialistas do mercado financeiro explicam possibilidade da saída do Ministro da Economia também

Na tarde da última quinta-feira, surgiram rumores de que o Ministro da Justiça, Sérgio Moro, teria pedido demissão. Especula-se que o motivo seria a exoneração de Maurício Valeixo, que ocupava a diretoria-geral da Polícia Federal por indicação do próprio Ministro, feita por Jair Bolsonaro.

Com o anúncio oficial da saída da Moro, o Ibovespa, maior índice da bolsa de valores brasileira, chegou a operar com queda de 6,44%. Além disso, o dólar passou a ser vendido a R$ 5,66, renovando sua máxima histórica.

A assessoria de Moro inicialmente negou que o pedido de demissão tenha sido feito e membros da equipe dele, afirmam que a agenda permaneceu a mesma. Entretanto, nesta manhã, Moro confirmou a saída em coletiva. O Ministro da Economia, Paulo Guedes desmarcou algumas agendas da tarde, o que preocupa o mercado financeiro.

Conflitos no governo:

Pedro Paulo Silveira, Economista-Chefe da Nova Futura, comenta que a virada no mercado ontem já demonstrava que o governo estava com conflitos.

“O mercado aqui virou por um conjunto de medidas que podem indicar que os problemas políticos do governo estão aumentando”. Segundo Silveira, o mercado já reagia mal por conta da ausência do Ministro da Economia, Paulo Guedes, na divulgação do pacote de medidas econômicas.

“O mercado estava repercutindo mal a divulgação do plano Pró Brasil sem a participação do Paulo Guedes. Esse rumor, com a possibilidade de saída do Moro, aumentou o desconforto do mercado”, afirma.

Crise atual fez o governo se desfazer:

Fernando Bergallo, Diretor de Câmbio da FB Capital, afirma que o acontecido demonstra a forma que o governo tem se desfeito durante a crise atual.

“Estamos vendo um governo se desfazer em meio à uma situação gravíssima de política internacional”. Segundo Bergallo, a demissão do Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no meio da pandemia já havia sido um problema para os investidores estrangeiros.

“A troca do Ministro da Saúde em plena pandemia, obviamente, já pegou muito mal para o investidor estrangeiro, e no momento em que o segundo pilar do governo, que é o Ministro da Justiça, que emprestou a credibilidade toda para o Bolsonaro sai do governo, você está perdendo outra perna desse tripé que não vai se sustentar sozinho”.

O Diretor de Câmbio pontua que já especulam a saída do Ministro da Economia, Paulo Guedes. “Já há rumores que o próximo a sair é o Paulo Guedes, a partir daí, acabou o governo”.

Mercado financeiro perde confiança no governo:

Para Guto Ferreira, Analista Político-Econômico isso reforça a necessidade de analisar mais a fundo as questões políticas. “Isso só reforça a opinião que nós temos um tempo, que não existe uma análise correta do financeiro sem análise da questão política”.

Ferreira ressalta que uma série de questões recentes têm abalado a confiança do mercado financeiro no governo.

“O mercado financeiro vem com muita desconfiança ao governo Bolsonaro por diversos motivos, para começar com a instabilidade do Presidente da república, passando pela falta de resultados do ministério da economia”.

Sobre a notícia da demissão de Moro, Ferreira afirma que pode desequilibrar o governo. Além disso, ele destaca que agora o mercado passa a tratar com seriedade o cenário econômico.

“A saída de Moro impacta tanto o mercado, pois ele é parte da grande trinca de estabilidade do governo, Moro, Guedes e Bolsonaro. Parece que o mercado passou a entender a real gravidade do cenário político, coisa que não era avaliada por outros especialistas”.

E o Paulo Guedes?

Jefferson Laatus, Estrategista-Chefe do Grupo Laatus aponta que esta expectativa gera no mercado também medo de uma possível demissão de Paulo Guedes, já que nos últimos tempos, o Ministro tem se envolvido menos.

“A demissão do Sérgio Moro é pesadíssima para o mercado como um todo. Mostra o desmonte do Ministério do governo Bolsonaro. Agora existe uma preocupação se o Guedes está mesmo tão engajado no Ministério, tanto que o Braga Netto lançou o pacote de medidas de recuperação econômica e o Guedes não estava nem presente, o ministro da economia não estava presente em um projeto econômico”, afirma.

Para Laatus, a participação de Braga Netto no governo pode ser um fator que coopera para os últimos acontecimentos.

“Desde a fritura do Onyx, que acabou saindo da casa civil, e o Braga assumiu, os ministros estão caindo. Veio a saída do Mandetta, agora o Moro com essa mudança na PF, se isso se confirmar, a perda de credibilidade do governo Bolsonaro é gigantesca, por isso o mercado acaba reagindo tão negativamente”, conclui.

Saída de Moro mostra o Brasil fraco:

Para Daniela Casabona, Sócia-Diretora da FB Wealth, a demissão de Moro mostra novamente o enfraquecimento do governo Bolsonaro e revela um país desorganizado.

“Com a saída de Moro, o governo mais uma vez se enfraquece e perde sua equipe de ‘ouro’, o enfraquecimento do presidente com os governantes é cada vez mais evidente e mostra um país totalmente desorganizado e sem consenso”.

Casabona ressalta que o mercado está reagindo mal pela atenção negativa que os conflitos têm atraído.

“O mercado está reagindo muito mal, pois em meio a um enfraquecimento global, como um todo, o país se destaca negativamente com os conflitos internos”, finaliza.

Ministro da Economia também pode deixar governo:

Fabrizio Gueratto, Financista do Canal 1Bilhão Educação Financeira, comenta que Moro era um dos dois pilares que sustentavam o governo Bolsonaro, e que a possibilidade da saída de Guedes é praticamente palpável.

Dois pilares centrais sustentavam o governo. Sérgio Moro pela ética e apoio popular e Paulo Guedes pela confiança na retomada econômica. Um deste pilares não existe mais e pode ocasionar a queda do segundo”.

Gueratto pontua que a pandemia teve grandes impactos no plano econômico de Guedes e deve enfraquecer a base política para aprovação das reformas.

“O Ministro da Economia viu seu plano ir por água abaixo com o Coronavírus e agora pode ficar sem base política para a aprovação das reformas no Congresso”.

O Financista acredita que com isso, o ministro possa ficar desmotivado a seguir no cargo. “A governabilidade pode estar sendo perdida bem no meio da terceira guerra mundial e Paulo Guedes pode não enxergar mais motivos para ficar no cargo”, afirma.

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