A C&A, uma das maiores varejistas de moda no país está em processo de abertura de capital. Iniciado em 14 de outubro, para aqueles que tiverem interesse, o período de reserva de papéis vai até o dia 23, com a definição do preço no dia 24 e início das negociações na bolsa no dia 28 do mesmo mês.

O valor mínimo para participações em ações é de R$ 3 mil, porém o objetivo é vender somente de 10% a 20% das ações no varejo, deixando o resto para fundos de investimento. Ficou interessado? O Financista Fabrizio Gueratto, do Canal 1Bilhão Educação Financeira, destrinchou a abertura de capital de uma das mais tradicionais empresas brasileiras.

Como funciona IPO?

Como funciona o processo de abertura de capital, ou IPO? Na prática ele é uma forma de capitação de recursos para a empresa. Através da abertura de capital, uma fração da companhia é negociada com investidores. “Na grande maioria das vezes, o dono fica com grande parte do negócio. Como por exemplo, Mark Zucherberg, fundador do Facebook, ficou com 30% da empresa quando abriu capital na bolsa.

O IPO envolve uma série de procedimentos, para que todos possam conhecer a fundo a empresa negociada, evitando qualquer tipo de enganação. A vantagem de se comprar ações na abertura é justamente conseguir lucrar com papéis que possivelmente estão precificados abaixo do mercado, ou guardar o dinheiro investido esperando a sua valorização no futuro”.

Para o IPO, é necessário que valor de mercado da empresa esteja avaliado entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões. Ao todo, a C&A vai abrir de 26,7% e 32% na B3, dependendo do desempenho dos papéis. O preço individual está estimado entre R$ 16,50 a R$ 20,00, portanto, se forem vendidos ao preço médio, de R$ 18,25, espera-se arrecadar aproximadamente R$ 1,5 bilhão com a abertura inicial de capital.

“O alto valor de mercado deve-se em grande parte à sua forte identificação com o público brasileiro. Só no Brasil, a C&A está presente há 40 anos. Nos anos 90, ficou muito famosa por ser a primeira a ter um garoto propaganda negro, o Sebastian, sob o slogan “Abuse e Use C&A”.

Sobre a C&A

A primeira loja foi inaugurada em 1976, no Shopping Ibirapuera, em São Paulo. Hoje, é quase impossível entrar em um shopping e não dar de cara com uma loja da rede”. A empresa possui mais de 282 unidades, em 125 cidades diferentes do país somando quase 16 mil funcionários.

O ganho com o comércio eletrônico, ou seja, vendas exclusivas no digital, representa 2,4% da receita líquida da C&A, além disso, 20% da receita com vendas vem do modelo ‘click and collect’, onde o consumidor entra na loja somente para retirar as peças de roupas, que são compradas através do online.

Esse sistema é permitido pela tecnologia omnichannel, que integra todas as lojas físicas com o digital, facilitando a vida do consumidor e também coletando uma série de dados importantíssimos para entender o comportamento de compras.

Como incentivo à compra dos papéis, também vale a pena destacar os rendimentos da companhia, que é a segunda maior varejista em receita líquida entre as registradas na Bolsa de Valores.

O que diz a CVM?

Segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a C&A registrou R$ 5,17 bilhões no ano passado, aumento de 2,6% em relação ao ano anterior. Somente no primeiro semestre de 2019, o lucro líquido foi de R$ 777,2 milhões, desempenho melhor do que o primeiro semestre de 2018, onde apresentou resultado negativo de R$ 30,5 milhões, o que mostrou recuperação no desempenho da loja. “Embora os resultados sejam positivos, o receio dos investidores é o alto endividamento.

A empresa chegou em 2019 a R$ 2,35 bilhões em dívidas, valor substancialmente maior do os R$ 463 milhões do mesmo período em 2018. Está aí um dos principais motivos para essa abertura de capital. Segundo divulgado, a empresa espera investir apenas 10% com a ampliação da marca aqui no Brasil, assim 90% do dinheiro arrecadado será usado na quitação de empréstimos com C&A Mode AG, braço holandês do grupo que controla a companhia brasileira.

Assim, a visão geral do mercado é a de que o preço médio dos papéis está caro, principalmente quando comparado o desempenho com as principais concorrentes. É verdade que a receita é a segunda maior do mercado, mas o endividamento torna a margem operacional da C&A (14%), menor do que as concorrentes, como Riachuelo (23%) e Renner (38%)”, diz o Financista do Canal 1Bilhão Educação Financeira.Apesar disso, é bom lembrar que, em um setor tão fragmentado como o varejista, onde as cinco maiores empresas representam somente 18,5% de todas as vendas formais, a C&A é a segunda marca que mais vem à cabeça dos brasileiros no varejo de moda segundo a pesquisa Top of Mind.

O investimento

Os dados recentes do varejo confirmaram um cenário positivo, ainda mais com a recuperação econômica. De abril até julho foram 3 meses seguidos com aumento de receita no varejo.  “Com a análise geral fica muito mais fácil saber se vale à pena participar do processo de abertura do capital.

A parcela de investimento em crescimento ainda é muito pequena em relação ao gasto com dívidas. Sem contar no mercado, que com bastante concorrência, deve exigir mais tempo para o desenvolvimento de uma das maiores varejistas de moda. 

Com o crescimento da B3 tem surgido mais empresas interessadas em abrir o seu capital. Recentemente a Vivara, loja que produz joais, abriu capital na bolsa, o Banco de Minas Gerais, o BMG seguira o mesmo caminho, com as mesmas datas da C&A”.

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