Depois da saída recorde de capital externo da bolsa nos últimos meses, os investidores estrangeiros parecem ter identificado uma oportunidade de compra no Brasil e voltaram a alocar recursos em ações listadas por aqui.

Segundo o Valor Econômico, em outubro até o último dia 19, o fluxo está positivo em R$ 2,55 bilhões, de acordo com dados do mercado secundário da B3, que considera ações já listadas na bolsa.

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Maior aporte

Conforme o jornal, se o mês terminasse nessa data, este seria o maior aporte dos estrangeiros desde setembro de 2018, quando a entrada de capital ficou em R$ 3,28 bilhões. O movimento até ajuda a sustentar uma valorização da bolsa, segundo analistas, mas o ingresso em outubro ainda é bastante limitado em relação à fuga de R$ 85,20 bilhões acumulados no ano até aqui.

Nos últimos dias, o Ibovespa retomou a marca de 100 mil pontos e acumula alta de mais de 6% em outubro. No entanto, o índice ainda registra um tombo de 13% em 2020, enquanto as bolsas americanas ou estão perto de zerar as perdas ou já se valorizam no ano.

Gestores e analistas

Gestores e analistas ouvidos pelo Valor afirmam que a chegada de recursos por aqui se apoia em uma busca global por ações de emergentes. No mercado doméstico, essa janela de oportunidade também foi aberta pela trégua na cena política, após semanas de tensão em torno dos rumos das contas públicas.

Mas, prevalece a leitura de que a entrada ainda é bastante incipiente e não crava uma nova tendência para ações locais.

“Houve uma melhora no cenário e os preços estavam muito descolados no Brasil. O mercado local não acompanhou o rali lá de fora, e estava tudo muito descontado. Nos últimos dias, tivemos sinais positivos da política, colocando discussão em termos mais construtivos, mas está longe de resolver o impasse. Está longe de ser uma tendência”, afirma Marcos Mollica, gestor do Opportunity.

Daycoval Investimentos

Para Enrico Cozzolino, analista da Daycoval Investimentos, é cedo para afirmar que há uma mudança de cenário, que tem sido marcado pela saída do investidor da bolsa desde 2019, tanto é que em outros meses já foram registradas entradas de estrangeiros e depois saques.

“O número [entrada de R$ 2,55 bilhões em outubro] é importante, mas só vai se tornar sólido com medidas concretas de que o teto de gastos será mantido. O estrangeiro só vem para a bolsa com mais certezas”, afirma.

Banco Central

Em uma evidência de que o estrangeiro pode seguir receoso com o Brasil, dados do Banco Central voltaram a mostrar saída de capital externo do mercado de câmbio nas últimas semanas. A conta financeira está deficitária em US$ 1,16 bilhão em outubro até dia 16, enquanto o resultado geral, que inclui a conta comercial, está negativo em R$ 1,05 bilhão.

Já na renda fixa, o Tesouro Nacional, em seu leilão semanal de prefixados, tem deixado de lado a tentativa de alongar o perfil da dívida. Na semana passada, o Tesouro ofertou 300 mil papéis prefixados longos – que costumam interessar estrangeiros -, sendo 150 mil para 2027 e 150 mil para 2031. Nas semanas anteriores, o Tesouro havia ofertado uma quantidade maior de títulos que vencem em 2031: 1 milhão em 8 de outubro; e 500 mil em 1º de outubro.

Embora tenha diminuído a quantidade de papéis longos ofertados, o Tesouro não conseguiu vender o lote integral dos títulos na semana passada. Das 150 mil NTN-F que vencem em janeiro de 2031 colocadas à venda na semana passada, pouco mais de 130 mil foram vendidas, ou 87,2% do total.

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