“O mercado está voltando, da máxima de R$ 4,12, onde estávamos, para abaixo dos R$ 4,00”

Após duas semanas, o dólar voltou a ficar abaixo do patamar de R$ 4,00. A última vez que isso aconteceu foi no dia 15 de maio. Tanto para o cenário positivo quanto para o negativo, o câmbio sempre funciona como termômetro de confiança do mercado. “O que a gente pode enxergar nos últimos dias foi um movimento de muita volatilidade e um movimento muito grande de aversão a posições de risco. Uma parte por conta do cenário internacional, com esse embate entre EUA e China que gerou muita tensão com a possibilidade de um arrefecimento global da economia, com a criação de muros tarifários entre as duas maiores economias do mundo. Houve um movimento de aversão ao risco, com muitos dólares saindo do país. Os emergentes, não só o Brasil, são os que mais sofrem com uma crise global de confiança”, analisou Fernando Bergallo, Diretor de Câmbio da FB Capital.

Sobre o mercado e as tensões:

Fernando Bergallo atribui a queda do valor da moeda americana as tensões no cenário político interno e também ao pacto realizado entre os três poderes buscando a aprovação da Reforma da Previdência. “O mercado está voltando, da máxima de R$ 4,12, onde estávamos, para abaixo dos R$ 4,00, em um desmonte parcial dessas posições defensivas. Isso se deve muito ao andamento do cenário político interno. O pacto entre os três poderes soou positivo para o mercado. Tivemos aí alguns dias de trégua, sem nenhuma crise criada pelo próprio governo, isso é ótimo. Além disso, há então uma impressão quase unânime de que essa Reforma irá passar. Caso não passe ainda no primeiro semestre, passará no segundo. Não sabemos ainda qual o texto, mas há confiança de que ela será aprovada. Isso traz alívio para o mercado então por isso o dólar tem recuado”, disse. Segundo Bergallo, se houver um acordo comercial entre China e Estados Unidos o dólar pode voltar a R$ 3,80, patamar onde esteve recentemente. O Diretor de Câmbio da FB Capital comentou ainda sobre a atuação do Banco Central no câmbio. O BC teria atuado unicamente para corrigir algumas distorções do mercado, porém não interviu na economia abruptamente. Dessa forma o mercado parece ter liberdade para realizar os próprios ajustes. “O Banco Central atuou pontualmente, no sentido de corrigir distorções de liquidez diárias. Em nenhum momento foi defendido nenhum teto, se o mercado fosse a R$ 4,30 ele iria. Não é função do BC peitar mercado. Houve só uma intervenção pontual”, completou Bergallo.

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