O IRB-Brasil Resseguros (IRBR3) apresentou representação criminal ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro.

O fato relevante foi repassado ao mercado nesta segunda-feira (17) e a representação dá conta das irregularidades encontradas nas demonstrações contábeis da companhia.

Inclusive aquelas divulgadas em 18 de fevereiro de 2020, conforme desvios e manipulações contábeis, entre outras irregularidades identificadas pelas investigações internas.

Segundo a empresa, estes desvios levaram ao refazimento das demonstrações financeiras do exercício de 2019, conforme divulgado no Fato Relevante de 29 de junho de 2020.

Também apresentou cópia da representação criminal à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e à Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), considerando, inclusive, que as   irregularidades e manipulações contábeis identificadas cuidavam de informações destinadas aos reguladores.

IRBR3: entenda o caso

Uma investigação interna encerrada em junho deste ano identificou os responsáveis pela disseminação de informação inverídica sobre a Berkshire Hathaway de que o veículo de investimentos teria participação no IRB e, inclusive, elevado participação, o que foi desmentido pela companhia de Warren Buffett posteriormente.

As apurações foram realizadas pela KPMG Assessores e Felsberg Advogados.

A companhia preferiu não divulgar os nomes dos envolvidos nas irregularidades.

Foram encontradas irregularidades no pagamento de supostos bônus a ex-diretor e outros colaboradores do IRB Brasil RE e suas controladas, cujo valor se aproxima dos R$ 60 milhões.

Também foram realizadas operações de recompra de ações que ultrapassaram as quantidades autorizadas pelo Conselho de Administração em 2.850.000 ações. Isso ocorreu entre fevereiro e março deste ano.

IRBR3: Berkshire e o jornal

Conforme dados da companhia, em 27 de fevereiro uma nota publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo informava que a Berkshire, que já seria acionista do IRB, teria triplicado sua posição na resseguradora.

Por conta disso, os papéis do IRB chegaram a disparar 9%, encerrando o pregão com ganhos de 6,66%. Significa dizer que as ações da resseguradora foram infladas pela notícia.

Entretanto, dia 3 de março a Berkshire emitiu comunicado negando possuir qualquer participação acionária na resseguradora. De acordo com a nota, a companhia de Buffett nunca foi acionista e nem tem intenção de comprar ações do IRB.

IRBR3: em queda livre

Maior ressegurador do país, a IRB perdeu 73,5% do valor de mercado em menos de oito meses.

Os dados são do Estadão, elencando que em 31 de dezembro de 2019 a empresa era avaliada em R$ 36,2 bilhões e seguia uma trajetória ascendente na bolsa de valores.

Atualmente, porém, essa quantia não passa de R$ 9,6 bilhões – uma queda de R$ 26,6 bilhões só em 2020. Essa redução bilionária no valor de mercado levou à IRB ao primeiro lugar entre as cinco empresas que, proporcionalmente, mais reduziram de tamanho na Bolsa no ano.

Veja IRBR3 na Bolsa:

https://www.youtube.com/watch?v=6gNSyqRFOmA&t=29s
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