“Funciona semelhante a portabilidade de um celular e vale para dívidas de empréstimos pessoais, consignados, imóveis e veículos”

Pouca gente sabe, mas Banco Central soltou em 2013 uma resolução permitindo que o brasileiro leve uma dívida de uma instituição financeira para outra. Essa modalidade teve um crescimento de 70% no primeiro semestre de 2018 em relação ao ano anterior. Na prática, uma pessoa que pegou um empréstimo pessoal no banco X, pode negociar com o banco Y de levar o saldo devedor para a instituição. Essa mudança pode trazer uma economia de mais de 20%. Na prática, é bem parecido com a telefonia. “Funciona semelhante a portabilidade de um celular e vale para dívidas de empréstimos pessoais, consignado, imóveis e telefonia. Além disso, o banco antigo não pode negar que o cliente transfira o que deve para outro lugar. Outro fator que todos devem ficar atentos é a relação de venda casada, quando o gerente oferece o produto caso o cliente compre um outro serviço. Isso é contra o Código de Defesa do Consumidor e o cliente pode acionar o Procon e o Banco Central”, explica Fabrizio Gueratto, Financista do Canal 1Bilhão Educação Financeira.

Entenda:

Obviamente, só vale a pena se a instituição financeira que o cliente quiser migrar oferecer uma condição melhor para o pagamento da dívida. “É possível solicitar a redução da taxa de juros. Porém o prazo final do contrato permanecerá o mesmo”, ressalta. Em geral, a portabilidade leva em torno de 5 dias úteis. A maioria das instituições financeiras só aceita receber a dívida se o cliente já tiver pago algumas parcelas, em geral, em torno de 20% do saldo devedor. “Claro que o banco que está recebendo a dívida quer que o cliente pague. Por isso, eles verificam se a pessoa estava pagando corretamente na outra instituição financeira e está apenas querendo uma condição melhor. É o chamado bom devedor, que honra com o contrato”.

Porém, agora, com a chegada das fintechs, startups de tecnologia voltadas para o mercado financeiro a concorrência ganhou um novo fôlego. Por serem empresas inovadoras, dinâmicas e com baixo custo operacional em razão da alta tecnologia, conseguem oferecer empréstimos, investimentos e portabilidade de dívida com condições muito mais atrativas. Mas, este não é o único benefício. “Uma fintech de crédito consegue analisar quase mil informações de um cliente em apenas 15 minutos e mensurar o seu grau de risco. Isso tudo de forma online, sem a pessoa precisa se deslocar até um local físico. Basta preencher todas as informações. Isso vale também para quem quer fazer a portabilidade de uma dívida. Através de um computador ou aplicativo a pessoa preenche alguns dados como cpf, número do contrato, saldo devedor, taxa de juros, modalidade de crédito, quantidade de parcelas e prazo. Na mesma hora já tem a resposta se a instituição aceitará receber aquela dívida e quais serão as condições propostas. Isso tira poder dos grandes bancos e descentraliza o mercado. Quem ganha é o brasileiro que começa a ter cada vez mais acesso a serviços financeiros que antes ficavam restritos a apenas 5 ou seis grandes bancos. As fintechs hoje são a maior ameaça ao oligopólio do sistema financeiro brasileiro”, finaliza Fabrizio Gueratto.

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