Valorizando 404,05% nos últimos 12 meses, as ações do Banco Pan estão em alta. Mas nem sempre foi assim.

História do Banco Pan

Fundado em 1963, como Baú Financeira e conhecido até 2013 com o nome de Panamericano, a instituição pertenceu ao empresário Silvio Santos até 2011. Mas em 2009, a Caixa Econômica pagou R$ 739,2 milhões para adquirir parte do banco Panamericano.

O banco estatal, por meio da Caixa Participações S.A. (Caixapar), salvou a instituição da falência. A Caixapar passa a possuir então 35,54% do seu capital.

No dia 8 de novembro de 2010, Silvio Santos, anuncia empréstimo de R$ 2,5 bilhões para cobrir uma fraude contábil nos caixas do banco Pan.

O empréstimo, contratado mediante o Fundo Garantidor de Créditos e garantido por bens do patrimônio empresarial do Grupo Silvio Santos, foi necessário para restabelecer o pleno equilíbrio patrimonial porque o banco continuou contabilizando carteiras de crédito que já foram vendidas para outras instituições financeiras, falsificando assim o patrimônio.

Em fevereiro de 2011, foi salvo da falência pelo BTG Pactual, que comprou, por mais de R$ 450 milhões, 50% da instituição à beira da falência e com dívidas acumuladas em quase R$ 4 bilhões. O Grupo Silvio Santos não ficou com nenhum valor da transferência, dadas as enormes dívidas. Com o tempo, a instituição se recuperou, concentrada na sua especialidade, que é o crédito para pessoas de baixa renda.

Atualmente, a Caixa não vê mais o Banco Pan como crucial para o seu negócio e pretende vender parte de sua participação. A expectativa da Caixa Econômica Federal é de arrecadar R$ 1,2 bilhão em recursos com as vendas na sua participação.

Banco Pan e BTG Pactual

O Banco Pan divulgou um lucro líquido de R$ 117,7 milhões no segundo trimestre, alta de 179% comparada ao ano passado. Segundo o documento de divulgação dos resultados, o lucro vem de “uma melhoria do processo internos e investimento em tecnologia e profissionais de destaque”. O mesmo relatório informa que o banco possui uma carteira de 4,6 milhões de clientes e capturou, em média, 113 mil novos clientes por mês. O plano, com o digital, é conquistar mais 2 milhões de usuários novos, além da adoção da conta pela base atual. O alto número de clientes se dá a grande quantidade e rotatividade da base de clientes. Com aproximadamente R$ 160 milhões de pessoas, nas classes C, D e E, uma grande parte delas endividada.

Os acionistas projetam o Banco Pan como um novo Banco Inter, que também teve valorizações acima de 300% recentemente. O Banco Pan com as inovações tecnológicas, saiu de um valor de mercado de R$ 2,2 bilhões no fechamento de 2018, para os atuais R$ 3,8 bilhões. Essas inovações passam por oferecer todos os serviços de bancos digitais, para um público que eles normalmente não alcançam e por isso tem se destacado, sendo um dos principais negócios do BTG. Na primeira semana de outubro de 2019 os serviços de contas digitais no Pan foram liberados. O próprio banco busca uma identificação diferente, não se classificando como uma fintech, mas como um banco especializado em tecnologia e inovação.

Tecnologia

Um exemplo de tecnologia é o da biometria facial de reconhecimento. Hoje, da contratação mensal de R$ 900 milhões em consignado, R$ 250 milhões já são feitos sem papel, totalmente digitais, com assinatura por meio de biometria facial. A expectativa é que esse percentual, de quase 30%, alcance 80% no próximo ano. Assim, com o investimento aproximado de R$ 150 milhões nessa tecnologia, os donos do banco estimam um retorno de R$ 1 bilhão em empréstimo consignado. O banco não pretende reduzir os canais de venda física, mas estender os processos, também para financiamento de carros e outras funcionalidades, esperando ter o mesmo retorno e se tornar 100% digital no futuro.

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