Não é surpresa para ninguém que o comércio digital se popularizou, cresceu e se consolidou. Durante a crise do novo coronavírus (covid-19), as lojas físicas precisaram entrar no mundo digital e os já digitalizados precisaram encontrar novos modos de superar a concorrência.

Como será o mercado de trabalho pós-pandemia

As ações de empresas que lidam direta ou indiretamente com a área terminaram 2020 em ampla expansão. Só no 3º trimestre de 2020, a gigante americana Amazon (AMZO34)  triplicou seu faturamento, enquanto a brasileira Via Varejo (VVAR3)-2,15% reverteu prejuízos em um lucro de R$ 590 milhões

Segundo dados do Indicador de e-commerce da Câmara Brasileira da Economia Digital e da empresa Neotrust, até novembro do ano passado, o faturamento do setor cresceu 122% quando comparado ao mesmo período de 2019. Esta rápida ampliação, que vê seus números escalando patamares cada vez mais exorbitantes, também traz mudanças e oportunidades no mercado de trabalho. Se antes era vantajoso cursar faculdade para ter um emprego bem remunerado, agora o jogo virou.

Renda extra: novas profissões pagam até R$ 20 mil sem sair de casa

Década digital

Esta é a década do digital. Para compreendermos melhor o funcionamento deste mercado bilionário e cheio de possibilidades, conversei com dois membros da equipe do Pablo Marçal, hoje a maior referência de marketing digital e infoprodutos da América Latina.

São eles: Anderson Lopes, CEO da XBranding, empresa responsável pela gestão de mídias sociais e assessoria de imprensa; e Lucas Maihach, CEO da XFor Digital e gestor de tráfego que já administrou mais de R$ 15 milhões em investimentos.

Vocês acreditam que as redes sociais estão mudando o mercado de trabalho?

Anderson: Com certeza. As redes sociais facilitam os processos inerentes ao comércio. Quando as pessoas querem comprar algo, elas pesquisam os produtos e opiniões pelas redes sociais antes de consultarem o próprio Google (GOGL34). Então, sem dúvida, essas plataformas são um presente para o comércio local e online brasileiro.

Lucas: Acredito que não só as redes sociais estão mudando o mercado de trabalho, como o mercado de trabalho também está muito inserido dentro das redes sociais. Temos redes sociais, como o próprio LinkedIn, nas quais as pessoas podem ser profissionalmente selecionadas por empresas. Hoje, as plataformas digitais têm um papel tão importante no mercado de trabalho que muitas empresas utilizam as redes sociais para conhecer quem são os candidatos às vagas antes mesmo de contratarem. Portanto, as redes podem ser um fator determinante de contratação.

Agora, quando falamos sobre as empresas, é completamente diferente. As empresas que não estão na internet hoje, tal como a situação da pandemia evidenciou, têm grandes problemas. Quem tinha um processo de vendas estruturado por meio da internet, conseguiu se sair melhor e manter a empresa funcionando durante o período de quarentena. Então, hoje, as redes sociais possuem uma função crucial no mercado de trabalho e no comportamento do consumidor.

Na percepção de vocês, quais são as profissões do futuro e quais as que já existem no presente?

Anderson: Na última década, aproximadamente 400 profissões foram extintas. A maior parte delas estava ligada ao trabalho braçal. Nos últimos tempos, tudo tem mudado para o on-line, para a internet e para as teclas, o que gerou uma mudança no mercado de trabalho. No lugar destas profissões entraram outras, tal como o gerenciamento de mídias sociais e gestão de tráfego – área responsável por administrar as vendas online de um negócio -, entre outras que estão ligadas ao comércio. Só em 2020, as vendas pelas redes sociais cresceram 56%, enquanto o faturamento do ramo atingiu R$ 42 bilhões. Isso tudo em um período de crise.

Lucas: Para mim as 4 profissões do futuro são: social media, gestor de tráfego, copywriter e designer. Quando falamos sobre marketing digital, podemos ver que elas já estão em alta. A demanda de posicionamento digital por parte das empresas e as profissões relacionadas ao digital estão crescendo. Muitos dizem que o mercado de marketing digital está saturado e que daqui a 3 anos isso irá acabar. Porém, acredito no contrário. Estamos passando por um momento em que essas atividades estão crescendo. Este ano será muito maior que 2020, e assim por diante. Portanto, essas são profissões do futuro que estão em alta. No entanto, se alguém quiser entrar no ramo agora, como uma pessoa que quer se reposicionar no mercado e começar hoje a aprender uma profissão como esta, ela tem grandes chances de, em um curto espaço de tempo, estar bem posicionado, ganhando bem e trabalhando com um negócio que cresce absurdamente.

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O que uma pessoa deve fazer se quiser entrar agora neste mercado e ter uma renda extra ou até mesmo como sua principal fonte de renda?

Anderson: O melhor jeito de aprender é se cercando de pessoas que conhecem a área e já tem resultados em seus projetos. Por ser um novo modo de comércio, há muita gente bem informada, ou não, mas que às vezes, comenta sobre o assunto mesmo sem conhecimento profundo. Portanto, a dica é: acompanhe pessoas que já tem resultado, desse modo você não será confundido ou enganado. Neste ramo, a companhia é tudo. Não é necessário possuir faculdade ou cursos mais longos. Aprendendo com os profissionais certos, você consegue ter resultados na internet através do marketing digital a partir de 1 mês de estudo.

Lucas: A primeira coisa que a pessoa precisa fazer é acompanhar e andar junto com os top players do mercado. O mercado de marketing digital é muito diferente dos mercados tradicionais, no qual o diploma e certificações possuem um grande peso. O que as pessoas realmente querem saber para te contratar é dos resultados que você entregou. Vale muito mais a pena andar com as pessoas que são grandes dentro do mercado e aprender com eles. Deste modo, você terá todos os recursos, estratégias e ferramentas para você também se tornar relevante.

A segunda coisa que você precisa fazer é estudar ao menos uma hora por dia e aplicar oito horas daquilo que você aprendeu. Não adianta nada você aprender muito e criar uma obesidade cerebral, e no fim não colocar isso em prática. Então, para mim, esta é a execução: 1 hora de estudo e oito de aplicação do conteúdo. Eu garanto que qualquer um que quiser iniciar uma profissão dentro do ramo digital e acompanhar os grandes players, investir em cursos, estudar e aplicar, irá voar no marketing digital em 1 ano, com os primeiros resultados logo no primeiro mês.

Qual é o ganho mensal médio destes profissionais e quanto ganham os mais bem remunerados?

Anderson: O ganho é relativo ao nível, nicho e influência do profissional. Um gestor de redes sociais pode ganhar entre R$ 2 mil e R$ 20 mil trabalhando para dois clientes. É um ganho considerável. Porém, existem nichos do mercado digital em que o faturamento pode alcançar mais de 9 dígitos, ou seja, mais de R$ 100 milhões ao ano somente pela atuação no mercado digital. Neste caso, a remuneração do profissional também pode subir sem limites.

Lucas: Como toda profissão, no marketing digital há quem seja muito bom e ganhe muito bem e há quem ganhe pouco. Você verá pessoas que trabalham na área ganhando R$ 1,2 mil e outras que ganharão muito dinheiro com isso. Neste ramo, como qualquer outro, você pode optar por trabalhar para alguém ou criar seu próprio negócio. É evidente que empreender gerará uma possibilidade de remuneração muito mais alta do que se você trabalhar para outra pessoa.

Hoje temos players no mercado, como gestores de tráfego e copywriters, que faturam milhões de reais por ano, mais de sete dígitos. São profissões bem remuneradas, porém, não tem como acreditar que essas pessoas ganham bem somente por trabalharem no ramo digital. Este não é o caso, uma vez que é necessário muito trabalho e dedicação para construir este resultado. Desse modo, se você deseja começar do zero é importante que você compreenda que há muitas pessoas no mercado fazendo falsas promessas de que é simples ganhar dinheiro na internet. Isso é uma mentira. O processo só gerará resultados com muito trabalho, estudo e suor. Eu mesmo estou no marketing digital há 5 anos, e somente agora as coisas estão realmente crescendo para mim, após muito estudo, trabalho e empenho.

A faculdade é essencial para atuar nestas novas profissões?

Anderson: Os ramos acadêmicos de mercado digital são desconhecidos por enquanto. A melhor forma de aprender sobre o mercado é usando a própria prática. Quanto mais você pratica e arrisca, mais experiente você fica. Acredito que pelo envolvimento direto com pessoas, não existe receita ou método certo.

Lucas: Tenho um aluno da minha mentoria que cursou 1 ano de marketing digital e disse que aprendeu mais comigo em dois meses do que no período em que esteve matriculado na faculdade. Portanto, a faculdade não é essencial. Na verdade, costumo dizer que se você quiser aprender marketing digital, o melhor caminho é não indo para a faculdade, porque lá há muita teoria que não foi aplicada na prática. Como disse anteriormente, quando uma empresa te contrata para realizar um serviço neste ramo, ela pede que você apresente resultados e não certificados.

Eles querem saber o quanto você é capaz de solucionar os problemas do negócio. Em mais de 5 anos de atuação na área, nunca me pediram qualquer certificado de graduação, e isso não foi um empecilho para o meu sucesso. É melhor utilizar o valor que você gastaria na faculdade em cursos dos players mais influentes do mercado, porque estas pessoas realmente geraram resultados, enquanto o curso tem enfoque em teorias não testadas.

Quais são os maiores desafios de trabalhar com o universo digital?

Anderson: Os maiores desafios do universo digital são as falsas concorrências. Por conta do alcance da internet, qualquer pessoa não qualificada ou sem resultados pode se intitular como especialista, o que pode prejudicar quem o acompanha. Além disso, arriscar sem saber também é outro desafio. Você pode dar uma tacada que te fará perder dinheiro. Por isso, manter contato com pessoas bem colocadas no mercado é crucial.

Lucas: Assim como tudo o que nos propomos a fazer, o ramo do digital tem desafios. O que vejo, porém, é que o digital apresenta menos desafios e rentabilidade mais alta quando comparado a outros modelos de negócio. No entanto, há alguns problemas, tal como escalar suas vendas na internet. É fácil fazer sua primeira venda, porém, fazer os números crescerem é complicado. Depois que você começa, é preciso aumentar o fluxo, fazer 2, 5, 20 vendas por dia. Claro que uma só venda já é uma boa resposta, mas para ter resultados cada vez maiores é necessário ampliar o seu negócio.

Como se manter atualizado em meio a tantas transformações tecnológicas?

Anderson: A atualização é recorrente e diária. Todos os dias, as ferramentas e plataformas são atualizadas. Quando alguém já atua no mercado digital, a atualização é automática, uma vez que já se está aclimatado neste ambiente. Em complemento a isso, é importante acompanhar as novidades pelas redes sociais, seguindo pessoas que são antecipadas e possuem alta influência.

Lucas: As ferramentas que você utiliza no digital estão em constante mudança. O principal ponto para se manter atualizado é estudar essas ferramentas o tempo todo, e as utilizar todos os dias. Eu, por exemplo, tenho um bom domínio das ferramentas do marketing digital. Porém, se eu passar dois meses sem ter contato com o mecanismo, na hora que eu volto tudo já está alterado. Então, para se manter atualizado é necessário estudar e treinar, porque se a ferramenta implementar um novo recurso é mais fácil dominá-la em menos tempo. Como o mercado é dinâmico, as ferramentas estão em constante alteração, tal como as de anúncio – do Google ads e Facebook-, de marketing ou criação de página. Até as próprias estratégias se alteram, com novos funis e meios diferentes. Portanto, para ser cada vez melhor é necessário buscar conteúdos nas melhores fontes e por meio dos melhores players do mercado, uma vez que essas pessoas possuem acesso mais direto a esse conteúdo inovador.

No mercado digital a velocidade de aumento da remuneração é mais rápida que no mercado tradicional?

Anderson: Sem dúvida. Com menos mão de obra e custo reduzido você consegue alcançar um maior número de pessoas. Isso faz com que o aumento do ganho monetário seja expressivamente maior. Hoje, uma loja que tem um e-commerce consegue vender 10 mil peças sem custo de infraestrutura. Enquanto isso, a loja unicamente física precisará de estoque, funcionários e espaço comercial para vender, quem sabe, um terço disso. É interessante ressaltar que uma das maiores empresas de mobilidade urbana da atualidade não possui um veículo sequer, somente trabalhadores contratados que utilizam seus próprios automóveis.

Lucas: Isso depende. Quando falamos de remuneração, falamos tanto sobre a lucratividade de um negócio digital quanto de um profissional executando algum serviço. Portanto, isso tem muito mais a ver com a pessoa, do que com o meio digital. Há pessoas que crescem rápido no mercado físico e dentro de empresas, mais pelas características que elas possuem do que por conta do meio em que trabalham. Se você é proativo, estuda e mostra resultados é claro que a remuneração será maior.

Lógico que no digital é mais fácil de aumentar os ganhos, uma vez que o custo do negócio é bem mais baixo. Quando falamos dessas profissões, em sua maior parte estamos falando de prestadores de serviço, ou seja, não há custo de matéria prima ou coisas do gênero. Além disso, por ser um mercado dinâmico, o processo de testagem de produtos é mais rápido.

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