Matheus Jacomeli: ‘Varejo sofre acomodação e Serviços se recupera’

O economista Matheus Jacomeli, da Nova Futura Investimentos, se dedica a acompanhar e analisar a economia brasileira diariamente. A pedido do 1Bilhão, ele destrinchou importantes dados de atividade econômica do país.

Conforme o especialista, na semana passada importantes dados de conjuntura foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e pelo Bacen (Banco Central do Brasil). Veja a seguir:

Vendas no varejo

Na quarta-feira (11), foi publicado os números das vendas no varejo durante o mês de setembro, evidenciando crescimento de 0,6% ao mês, contra 3,1% durante o mês de agosto. Apesar de registrar a quinta alta mensal consecutiva, o número mostra que o consumo das famílias acelera com menor intensidade quando comparado com os meses anteriores. A desaceleração no indicador se deve ao processo de acomodação do setor, após fortes aumentos que ocorreram em maio (+12,2%) e junho (+8,7%).  Um fator que contribui para a queda no varejo, foi a diminuição da renda disponível das famílias devido ao aumento da inflação de alimentos afetando os setores hiper e supermercados. Outro fator importante a ser levado em consideração é o de que, a partir do quarto trimestre a economia deve perder força, voltando para uma normalização. Além disso, o efeito da inflação poderá ser dissipado por uma aceleração mais baixa e redução das transferências do auxílio emergencial.

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Serviços

No dia seguinte, quinta-feira (12), a instituição divulgou os dados do setor mais prejudicado pela pandemia devido às medidas isolamento social, o setor de serviços, registrando aumento de 1,8% em setembro, ante 2,9% do mês imediatamente anterior, tendo o quarto resultado positivo consecutivo. Contudo, no acumulado, ainda não a recuperação da queda acumulada no ano há retração de 8,44%, de modo que ainda esteja abaixo do nível pré-pandemia. Os setores mais prejudicados continuam sendo os prestados às famílias, pois muitas pessoas continuam a trabalhar em casa e/ou evitando a fazer viagens o que diminui a atividade dentro do setor. No entanto a reabertura da economia na maioria dos estados contribuiu para que setores que estavam paralisados voltassem a ter demanda.

IBC-Br

Por fim, na sexta-feira (13), um dos indicadores mais esperados pelo mercado, por ajudar os agentes a construírem suas expectativas em relação ao crescimento da economia foi divulgado pelo Bacen, o IBC-Br. O indicador é importante, pois indica o quanto a economia brasileira está evoluindo pelo lado da oferta. Apesar do PIB publicado pelo IBGE ser mais completo, pois leva em conta os demais elementos da demanda agregada, isto é, o consumo, gastos do governo, investimento privado e exportações líquidas e o IBC-Br leva em conta a produção dos três grandes setores econômicos, isto é, agricultura, indústria e serviços. Apesar da diferença entre os dois indicadores de atividade econômica, e a vantagem do indicador de atividade econômica do IBGE ser mais completo, ambos tendem a ter um comportamento muito parecido e como o PIB possui uma periodicidade trimestral, o IBC-Br se torna uma importante proxy para acompanhar o desempenho da economia mensalmente.

Em setembro, IBC-Br superou as projeções do mercado. Segundo os analistas ouvidos pelas agências especializadas Broadcast e Reuters, era esperado avanço de 1,00% em setembro e o indicador alcançou 1,29%, alcançando 9,47% no trimestre, mostrando melhora considerável da economia brasileira. Todavia, ainda não houve recuperação das perdas registradas no segundo trimestre, em 10,18%.

Analisando o comportamento do índice da autoridade monetária ao longo do ano, percebe-se que os impactos mais fortes da pandemia ocorreram em março e abril quando começaram os lockdowns em quase todo país. Em maio, com o início da política de rendas, isto é, o auxílio emergencial, mantendo a renda das famílias, de modo que a demanda continuasse forte. Com a renda mantida, apesar dos serviços absorverem os maiores problemas, o comércio conseguiu se sobressair ajudando o lado da oferta. O setor agrícola também influenciou fortemente o IBC-Br. A demanda por produtos agrícolas e outras commodities contribuíram fortemente para a melhora no indicador.  Adicionalmente, a queda no número de casos da COVID-19, deu alívio à economia, sustentando mais meses de aceleração. No entanto, ainda há preocupação de como a economia reagirá à retirada do pacote de estímulos.

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