Iniciativas de geração distribuída –tecnologia que permite a consumidores produzir a própria energia com sistemas de placas solares em telhados ou grandes terrenos — devem receber investimento de até R$ 70 bilhões nos próximos dez anos, projetou a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Segundo a Reuters, a capacidade instalada desses sistemas poderia atingir 24,5 gigawatts em 2030 em um cenário sem grandes mudanças nas regras atuais para a remuneração da energia gerada, apontou um EPE.

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Previsão

A previsão é bem mais otimista que um cenário traçado pela EPE no ano passado, em seu Plano Decenal 2029, que sinalizava para 11,4 gigawatts em geração distribuída no final do período de dez anos e aportes de quase R$ 50 bilhões.

As instalações de GD, como essa forma de geração é conhecida, somam atualmente cerca de 3,66 gigawatts em capacidade no Brasil, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A tecnologia

A tecnologia foi a segunda com maior expansão em termos de potência instalada no país em 2019, com 1,4 gigawatt, atrás apenas das hidrelétricas, responsáveis ​​pela maior parte da oferta local, segundo o material da EPE.

A projeção da estatal tem como base um chamado “cenário verão”, no qual o governo ia manter uma política de grande incentivo a esses sistemas, “fazendo mudanças sutis” na atual regulação.

Cenário primavera

Em outro caso, o “cenário primavera”, com redução de incentivos tarifários à geração distribuída, os investimentos somariam R$ 50 bilhões até 2030, enquanto a capacidade alcançaria 16,8 gigawatts.

O número de consumidores com sistemas próprios de geração seria de 3 milhões em 2030 no cenário otimista e de 2 milhões nas mudanças mais moderadas, segundo a EPE.

Uma avaliação estatal de que os painéis fotovoltaicos devem responder por 79% da energia entregue pela geração distribuída em 2030, com sistemas hidrelétricos na segunda colocação, com 11%.

A geração

A geração dessas instalações seria suficiente para atender entre 4,6% e 3,2% da carga total ao final da próxima década, de acordo com o estudo.

Pela atual regulação para geração distribuída, consumidores que instalam pequenas usinas solares ou placas fotovoltaicas em telhados, por exemplo, podem ter abatida de sua conta de luz toda a produção dos sistemas próprios.

Aneel

Em meio ao crescimento acelerado dos investimentos no setor, a Aneel chegou a iniciar no ano passado passado sobre as mudanças incentivos, ao apontar que subsídios de dados à GD podem pesar no longo prazo sobre os consumidores que não utilizam os sistemas.

A agência, no entanto, recuou após o presidente Jair Bolsonaro e parlamentares terem atacado a ideia, com promessas de derrubar no Congresso eventual decisão do regulador. Desde então, há expectativa de que o assunto volte a ser discutido em um projeto de lei.

Estudo da EPE

O estudo da EPE projetou que as mudanças regulatórias reduzirão para média 10% a taxa interna de retorno real (TIR) ​​de investimentos em projetos solares residenciais, contra cerca de 20% atualmente. A TIR então se recuperaria gradualmente até alcançar 14% em 2030.

Para projetos solares comerciais, modificar reduzir para TIR para 15%, de cerca de 16% atuais, mas com os retornos posteriormente se recuperando para até 21%.

“Alterações regulatórias alterarão a atratividade dos investimentos em micro e mini geração distribuída. No entanto, um táxon interna de retorno continua competitiva nos dois cenários”, apontou um EPE no estudo.

Em um cenário sem qualquer mudança nas regras vigentes para a tecnologia, chamado de “limite superior” pela EPE, a capacidade em sistemas de geração distribuída no Brasil poderia fechar 2030 em 35,8 gigawatts, de acordo com a estatal de planejamento.

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