A alta no preço dos alimentos não incide na inflação atual, segundo o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira.

“Em comparação com a expectativa do mercado, que era 0,39%, não houve grandes mudanças na inflação. Nós sempre esperamos uma coisa, sabendo que pode vir outra”, disse.

Segundo ele, o IPCA está sujeito a todo tipo de variação. Além disso, a economia anda dando uma pancada para cima, e a alimentação joga um peso enorme nisso.

Entretanto, frisou, o comparativo dos últimos 12 meses continua bem baixo, mas os alimentos estão subindo.

Por isso, conforme ele, com base no que é visto nos supermercados, as pessoas acabam tendo uma percepção de inflação muito mais alta do que realmente há.

“Como muita gente está comendo mais em casa por conta do isolamento social, comprando arroz, feijão e óleo de soja, produtos estes que tiveram um aumento de preço absurdo, parece que o cenário brasileiro está super inflacionado”, ressaltou.

Inflação

Recuperação em K

A principal preocupação do economista é a retomada econômica em “k”, que pode trazer muitas consequências para a economia brasileira, além de efeitos bem duradouros.

“Isso impede que a inflação suba de maneira agressiva. Normalmente, ela sobe porque os trabalhadores compram os alimentos encarecidos e querem repassar o aumento dos preços em seus salários, o que pressiona as empresas a aumentarem o pagamento de seus funcionários”, exemplificou.

Conforme ele, quando a folha de pagamento sobe, todos os preços sobem junto. Entretanto, o salário não está subindo no país, e a única coisa segurando a renda do brasileiro é o auxílio emergencial. Quando este for retirado, a renda irá cair novamente.

Mercado de trabalho

Além disso, 10 milhões de pessoas saíram do mercado de trabalho nos últimos 12 meses, de acordo com uma análise encerrada em julho. “Portanto, não existe nenhuma preocupação de inflação, justamente porque a taxa de desemprego está explodindo e a população irá parar de consumir cada vez mais”, concluiu.

Inflação – IPCA-15

A análise prévia da inflação nacional (IPCA-15), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou um aumento considerável neste mês de setembro.

O índice registrou uma alta de 0,45%, após os 0,23% apontados em agosto, apresentando assim o maior aumento do mês desde 2012.

Ainda que o acumulado dos últimos 12 meses continue abaixo da meta inflacionária estabelecida pelo governo para 2020, podemos ver uma leve recuperação econômica após os impactos causados pela crise do coronavírus (covi-19).

Na última quarta-feira, o levantamento também revelou que a maior variação veio do grupo de alimentos e bebidas, com uma diferença de 1,14% em comparação com o último mês, o que levantou questionamentos sobre uma possível alta da inflação movida pelos preços dos alimentos.

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