O PIX, pagamento instantâneo do Banco Central (Bacen), que será adotado pelo Nubank, Banco Inter, Itaú, Bradesco, C6 Bank e demais instituições financeiras, não deverá ser gratuito, pelo menos não para todos os clientes, como eu já havia falado no meu canal do YouTube.

Acredito no livre mercado e acho que cada empresa deve cobrar ou não por um serviço, assim como o consumidor, cliente ou investidor também tem o poder de escolher o que mais lhe convém. O app, porém, é um caso à parte.

PIX: as 10 maiores dúvidas sobre o novo sistema de pagamentos do governo

PIX não será um Big Brother

Do ponto de vista Brasil, é um divisor de águas. É o momento em que o Banco Central deixa de ser um órgão regulador e fiscalizador e passa a ser protagonista em soluções tecnológicas que aceleram o sistema financeiro do país e consequentemente toda a economia.

Para quem acha que o app foi feito para nos monitorarem, que acreditam nas teorias da conspiração, saiba que, hoje, a Receita Federal monitora absolutamente tudo, inclusive os cartórios e Detrans.

Apenas se você receber em dinheiro em espécie, e comprar da mesma forma, não será fiscalizado. Portanto, acreditar que o app é a materialização do livro “1984” de George Orwell, em que somos vigiados o tempo todo, é uma grande ilusão. Já vivemos faz tempo em um Big Brother.

Será gratuito em bancos digitais igual TED e DOC?

A segunda coisa que ainda não entendi é a seguinte: o Banco Central do Brasil é uma autarquia, ou seja, possui autonomia em relação ao governo. No entanto, ele não deixa de ser um órgão público e, consequentemente, o recurso financeiro para que a instituição funcione tem origem nos cofres públicos, como ocorre em qualquer país do mundo. Até aí, sem novidade.

O desenvolvimento do app pelo Bacen, algo extremamente disruptivo, obviamente foi financiado com dinheiro público. Talvez até para reaver este investimento e manter toda a plataforma tecnológica operando, o Bacen cobrará R$ 0,01 a cada 10 transações.

Até acharia justo a instituição financeira repassar este custo para o cliente, pois seria um valor irrelevante para a grande maioria da população. Os bancos digitais como BTG+, Nubank (NuConta), Banco Inter, Original e BS2, se já nem cobram TEC e DOC, com certeza não cobrarão nada também para o cliente que usar o PIX.

Entretanto, alguns grandes bancos já começaram a divulgar que o PIX apresentará custos menores, mas não que os clientes serão isentos – e tenho certeza que não será o custo de R$ 0,01 centavo a cada 10 transações. Estou até agora tentando entender como uma empresa privada pode vir e se utilizar do PIX para lucrar se essa é uma tecnologia desenvolvida por um órgão público, com dinheiro público. Seria o mesmo que eu colocar um pedágio em uma rua que foi construída com o dinheiro da população e cobrar por isso.

O PIX é do Brasil

O PIX está democratizando e acelerando o processo de transação financeira no País, hoje ainda burocrático e algumas vezes caro.

Mais do que isso, o PIX vai ajudar a diminuir os gastos e a dependência do cartão de crédito, hoje principal ator do endividamento do brasileiro. O PIX é do Brasil. O PIX é dos brasileiros.

Compartilhe

Categorias do artigo

  • Relacionados: