O brasileiro se acostumou durante anos com a taxa de juros alta (Selic). Bastava deixar o dinheiro investido em renda fixa como o CDB e mensalmente a alta da taxa de juros forneceria uma excelente rentabilidade. O primeiro ponto que deve ser analisado é: Existe rentabilidade líquida e ganho real.

Rentabilidade dos investimentos renda fixa

Rentabilidade líquida é aquilo que rende descontando impostos e taxas e o ganho real é aquilo que rende, descontada a inflação. Geralmente a inflação acompanha a taxa de juros, ou seja, quando uma sobe a outra acompanha e assim reduz a rentabilidade líquida. Porém, a taxa de juros que no passado já ultrapassou 14% ao ano, atualmente está em 5,5% e deve cair ainda mais.

Com a inflação perto de 3%, se descontados os impostos de muitos investimentos, a rentabilidade líquida é mínima. Se a taxa de juros cair ainda mais pode ser que no futuro breve muitos investimentos passem a apresentar rentabilidade real negativa, ou seja, o dinheiro vai perder valor. Ainda é preciso levar em consideração um outro fator.

Renda fixa

A nossa inflação pessoal, que é quanto o custo de vida de cada pessoa sobe no período de um ano, geralmente é superior a inflação medida pelo governo, tendo em vista que, esta, na verdade é uma média de diversos produtos e serviços.

Na prática, isso quer dizer que nem sempre um investidor de renda fixa é conservador. “Na verdade, muitas vezes o investidor de renda fixa é muito arrojado e agressivo, pois ele sabe que seu dinheiro está perdendo valor e mesmo assim continua em péssimos investimentos. Isso requer muita coragem”, brinca o Financista Fabrizio Gueratto. Não existe uma fórmula única de quanto um investidor deve colocar na renda variável e quanto ele deve ter na renda fixa.

Onde investir?

Isso depende de diversos fatores como idade, volume financeiro, se esta pessoa tem filhos ou não, estabilidade do emprego ou empresa e mais dezenas de fatores. Entretanto, o fato é que, tirando as pessoas que ainda não fizeram o seu cofre de emergência, ou seja, juntaram os primeiros 6 meses do seu custo de vida em uma aplicação sem risco e com liquidez, o restante deve ter um percentual em renda variável sempre pensando no longo prazo, para um período superior a 10 anos.

“Digamos que agora o Brasil está ficando mais normal e parecido com o resto do mundo civilizado. Juros baixos e investidor fazendo a sua aposentadoria através de ações”, ressalta.

FIA E ETFs

Como tudo na vida o ideal é que se comece do começo. Primeiro é preciso estudar o que são ações, qual o comportamento do preço dos ativos durante o dia, para entender que varia e as vezes varia muito e, além disso, o que são fundos de investimentos em ações (FIA) e ETFs (Exchange Traded Fund), como o BOVA11, por exemplo, que é um fundo que reproduz o Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas na bolsa brasileira.

O fato é que, para começar, o investidor deve investir 10% do seu patrimônio em renda variável e sentir como fica o seu psicológico durante as oscilações e ir aumentando este percentual conforme se sinta mais seguro. “O mais importante é entender que não será mais possível fugir da renda variável. O brasileiro será obrigado a começar a entender um pouco sobre investimento em ações”, finaliza Gueratto.

Leia também: “QUEDA DA SELIC – Como escolher uma CORRETORA? Qual é a MELHOR? Onde investir em RENDA FIXA?”

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