“Não tem nenhum investimento de renda fixa que renderá mais do que o FGTS no prazo de 1 ano”

Para estimular a economia o governo decidiu liberar parte do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para os seus cotistas. O FGTS funciona como um seguro. Todo mês o empregador deposita 8% do salário no fundo, para caso ele seja demitido, possua uma reserva financeira que garanta a subsistência por um determinado período. “Na prática é o governo cuidando do dinheiro das pessoas. E acredito que o brasileiro ainda precise disso. Grande parte da população não tem educação financeira suficiente para guardar dinheiro pensando em eventualidades futuras”, explica Fabrizio Gueratto, Financista do Canal 1Bilhão Educação Financeira.

Com as mudanças, os trabalhadores CLT poderão optar por duas modalidades: Um saque imediato ou saques anuais. No saque imediato do FGTS cada pessoa com dinheiro em conta poderá retirar a partir de 13 de setembro R$ 500,00. Existirá uma fila e os primeiros comtemplados serão aqueles que possuem conta-poupança na Caixa Econômica Federal. Para o restante será liberado até o dia 31 de março. Caso esta pessoa seja demitida sem justa causa, receberá o valor integral e mais multa de 40%, como já ocorre hoje.

Quem optar por saques anuais estará enquadrado em uma tabela que permitirá retirar todos os anos um percentual. Quantos mais dinheiro esta pessoa possuir, menor será o percentual autorizado a ser sacado. Por exemplo, quem tem até R$ 1 mil no FGTS poderá retirar 40%, mais uma parcela fixa de R$ 50,00, enquanto que, uma pessoa que possua mais de R$ 20 mil, poderá sacar somente 5% e mais uma parcela fixa de R$ 2,9 mil. “Na prática, como o FGTS atualmente é muito usado para a compra da casa própria, o governo quis blindar o setor da construção civil, que é quem mais emprega mão-de-obra no Brasil. Por isso, os percentuais são baixos”, ressalta.

Entretanto, sacar o dinheiro pode ser uma vantagem apenas em alguns casos. “Se o trabalhador possui uma dívida de cartão de crédito ou cheque especial, que os juros são exorbitantes, ou precisa comprar algo que irá gerar uma receita imediata, como por exemplo um motorista de aplicativo que precisa colocar um kit gás no carro, nesses casos pode ser vantajoso. Caso contrário, vale a pena deixar parado o dinheiro”.

Vale a pena sacar o FGTS?

O rendimento do FGTS é 3% + TR (Taxa Referencial), que hoje é zero. Porém, em 2017, o governo decidiu distribuir 50% do lucro do fundo, o que deu mais 1,72%. Este ano o Ministro da Economia Paulo Guedes anunciou que distribuirá 100% do lucro, o que pode fazer com que este montante dobre e chegue a 3,08%. Somado com os 3% de rentabilidade garantida, o FGTS renderá 6,18% aproximadamente, o que seria uma rentabilidade extraordinária para um investimento de renda fixa e isento de imposto de renda.

“Não tem nenhum investimento de renda fixa que renderá mais do que o FGTS no prazo de um ano. Se não tiver dívidas com juros altíssimos a melhor coisa a fazer é deixar o dinheiro parado e não mexer. Precisamos ser realista e deixarmos os preconceitos de lado. FGTS já foi ruim e perdia para a poupança, mas com 100% do lucro distribuído passou a ser excelente”, dispara.

Para que seja possível notar as diferenças basta calcular quanto cada investimento de renda fixa precisaria render para se igualar ao FGTS. Usando como base um valor de R$1.000,00, o Canal 1Bilhão Educação Financeira fez os cálculos para o período de 1 ano, tanto para CDBs, quanto para fundos que são isentos de imposto de renda, como por exemplo as debêntures incentivadas e também as letras de crédito imobiliário e agrícola.

E os CDBs?

Os CDBs, que a partir de 1 ano têm uma taxa de 17,5% de imposto de renda, ficam bem atrás, fazendo com que o valor final ficasse em R$ 1048,87. Vale lembra que o valor é o mesmo para os RDBs, que muitas vezes são emitidos por fintechs. Já as letras de crédito, tanto imobiliário quanto agrícola, conhecidas como LCI e LCA, são isentas de impostos, por se tratar de incentivos do governo.

Fundos do tipo LCI/LCA oferecem em média uma rentabilidade de 95% do CDI. Com isso, em 1 ano, passaria para R$ 1.053,16. No caso das debêntures incentivadas a rentabilidade é melhor ainda, além de não conter imposto de renda, assim como LCI e LCA, e renderia no total 1.062,29. Agora, para se ter uma ideia de quanto a nova distribuição dos lucros do FGTS é positiva, pensando na rentabilidade de 6,4% o fundo de garantia do trabalhador totalizaria R$ 1.064,66 no fim do ano. Precisaríamos de um CDB de 131% do CDI para ter um rendimento equivalente, e para os fundos isentos, essa taxa teria que ser de 109% do CDI para igualar essa quantia.

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