O ódio ao Ronaldo explica muita coisa do Brasil

Cruzeiro "dispensou" Fábio, goleiro titular há 17 anos e incitou a fúria dos torcedores

Pouco tempo atrás, Ronaldo comprou o Cruzeiro por R$ 400 milhões e iniciou uma lua-de-mel com a torcida do time que o revelou. Esse período de boa vontade acabou ontem, com a dispensa do goleiro Fábio, goleiro titular do Cruzeiro nas últimas duas décadas, atleta que mais usou a camisa do clube e um dos maiores ídolos do time.

Reagindo a isso, a torcida resolveu protestar contra “a lógica do lucro” – como se esta fosse a lógica do lucro que tivesse impedido Fábio de continuar no time. O Cruzeiro ofereceu um contrato de três meses para que ele pudesse ficar no time durante o Estadual e se despedir da torcida como o ídolo que ele é – na linha do que o maior rival, o Atlético Mineiro, havia feito com o também goleiro Victor ano passado.

Fábio não aceitou, queria ficar o ano inteiro e saiu atirando contra a atual diretoria. O torcedor comprou o discurso do jogador e agora protesta contra o dono do clube – há uma manifestação com cânticos como “Ronaldo gordão, vem dar satisfação”. O que esse caso mostra é que o brasileiro, de maneira geral, tem uma instrução muito baixa em educação financeira.

E é isso que estamos tentando combater aqui! Se você quer aprender mais sobre dinheiro e como tratar bem, então entre no nosso grupo de WhatsApp e receba nosso conteúdo gratuitamente de maneira fácil e rápida! Basta clicar aqui. Vamos entender o que o caso do Ronaldo explica sobre dinheiro e que os torcedores não entendem:

Qualquer instituição precisa ser financeiramente sustentável

O Cruzeiro, agora uma empresa, não quis contar com Fábio por mais um ano inteiro – oferecendo um contrato de três meses para que ele pudesse se despedir do torcedor celeste. Faz sentido: ele já está no fim de carreira, não é o mesmo de anos atrás e é um jogador caro. Mantê-lo no elenco seria gastar um dinheiro que talvez o Cruzeiro não possa gastar.

Qualquer instituição precisa ser financeiramente sustentável, mesmo aquelas que não visam lucros. A ideia de gastar o que não pode é o que levou o Cruzeiro ao ponto que está, três anos na Série B e afundado em dívidas, atrasos de salários e outros problemas. Isso não se resolve com a manutenção da ideia de gastar o que não tem, um choque de gestão é necessário para garantir que o barco não afunde ainda mais.

Não existe nenhuma instituição que possa ser irresponsável com dinheiro no longo prazo, nem mesmo aquelas que são bancadas por bilionários – a conta chega, cedo ou tarde, para todos. Com a promessa de investimentos de R$ 400 milhões nos próximos anos, Ronaldo não é bobo. Esse dinheiro não é para fazer caridade com jogador X ou Y, é para mudar a situação do clube.

Lucro não é o que realmente importa

Sobre este assunto, talvez a frase mais repetida ad eternum é que “O Cruzeiro agora tem dono e ele precisa lucrar”. Isso é uma mentira, uma prova de que o brasileiro não entende da lógica do dinheiro. Ronaldo não precisa tornar o Cruzeiro em lucrativo para extrair valor dele – e ganhar dinheiro pessoalmente. Atualmente, poucos negócios são.

O Uber gasta uma enorme quantidade de dinheiro para subsidiar viagens, assim como Rappi, iFood, Nubank e tantas outras empresas. Ronaldo não precisa fazer o Cruzeiro, principalmente na Série B, ser lucrativo – basta não dar prejuízo, montar um time competitivo e ser promovido para Série A, onde as receitas são muito maiores.

Para ganhar dinheiro na operação de R$ 400 milhões, Ronaldo não precisa receber alguns milhõezinhos que o clube pode gerar na Série B. Ele precisa ver a avaliação clube crescer – se na Série B, com a capacidade de gerar renda atual, é 400 milhões, subindo para a Série A o valor aumenta significativamente. E aí Ronaldo pode vender uma parte dos 90% que detém no clube, embolsar algum dinheiro e reduzir os riscos da operação.

Negócios assim não são carrinhos de cachorro quente cujo resultado é apenas o imediato. Negócios dessa natureza podem e devem ser pensados para o longo prazo, planejados sem sentimentalismo, e com muito cuidado para maximizar o retorno, tanto dentro de campo quanto fora. E avaliando esse ponto, a postura de Ronaldo não é apenas irretocável para si, mas para a instituição que ele comanda também – afinal, agora o que for melhor para o Ronaldo é o que será o melhor para o clube também.

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