Carteira de crédito deve crescer 0,5% em abril, diz Febraban

O saldo total da carteira de crédito deverá apresentar crescimento de 0,5% em abril, revela a Pesquisa Especial de Crédito da FEBRABAN, apresentando o melhor resultado para o mês desde 2014 (+0,7%).

Caso a estimativa seja confirmada pela próxima Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Banco Central, o ritmo de expansão da carteira voltará a acelerar em 12 meses, passando de 14,5% para 15,0%.

Crédito

As projeções da Pesquisa Especial de Crédito da FEBRABAN, divulgada mensalmente como uma prévia da nota do BC, são feitas com base em dados consolidados dos principais bancos do país, que representam de 38% a 89% do saldo total do Sistema Financeiro Nacional, dependendo da linha, além de outras variáveis macroeconômicas que impactam o mercado de crédito.

A alta do mês de abril deverá ser puxada pela carteira destinada às famílias, com crescimento de 1,0% e desempenho positivo, tanto em recursos direcionados (+1,0%) como livres (+1,1%), de acordo com Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da FEBRABAN.

“O processo de reabertura de atividades econômicas ao longo do mês de abril, com a adoção de medidas menos rígidas de distanciamento social, deve beneficiar especialmente a carteira pessoa física livre. A expectativa é de desempenho positivo tanto no crédito pessoal quanto nas linhas mais ligadas ao consumo, como cartão de crédito”, diz Sardenberg. “Além de mostrar que a oferta de crédito segue em ritmo importante neste início do ano, o resultado deve confirmar a percepção de que a atividade econômica já vem mostrando recuperação a partir de abril”, acrescenta.

Levantamento

O levantamento mostra que a carteira pessoa física direcionada (+1,0%) deverá manter sua trajetória de crescimento mensal ininterrupto desde agosto de 2018, novamente liderada pelo crédito imobiliário, que segue beneficiado pelas taxas de juros na mínima histórica.

Já a carteira pessoa jurídica deverá apresentar retração de 0,3% em abril na nota do BC. O recuo da carteira livre (-0,2%) deve refletir questões sazonais, devido ao menor volume das linhas relacionadas ao fluxo de caixa, como descontos de duplicatas e recebíveis e antecipação de faturas.

O resultado, no entanto, pode ser entendido como uma acomodação após a expressiva alta de março (+3,0%). A carteira direcionada, por sua vez, deverá retrair 0,5% em abril, o terceiro recuo nos últimos quatro meses, refletindo a interrupção (no período) dos programas públicos de crédito, embora ainda com ritmo de expansão anual elevado, acima dos 20%.

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Concessões

A pesquisa aponta que as concessões de crédito apresentaram retração mensal de 7,5% em abril, refletindo questões sazonais no âmbito do crédito pessoa jurídica e o menor número de dias úteis em relação ao mês de março.

Ao ajustar o volume médio de concessões por dia útil, no entanto, o resultado seria uma expansão de 6,3% ante o mês anterior, sinalizando que a oferta de crédito segue em crescimento.

Segundo a Pesquisa Especial de Crédito, as concessões para pessoa física avançaram 14,9% em abril na média por dia útil, com expansão tanto nas operações com recursos livres (+13,8%) quanto com recursos direcionados (+21,3%).

A maior flexibilidade das medidas de distanciamento adotadas ao longo de abril pode ter gerado um efeito positivo sobre o consumo das famílias, que impulsiona o volume de crédito livre, enquanto as concessões com recursos direcionados devem seguir impulsionadas pela demanda aquecida pelo crédito imobiliário.

Empresas

Já o volume de concessões para as empresas deverá apresentar queda de 14,8% no mês. Ao fazer o ajuste por dias úteis, no entanto, a retração das concessões para as pessoa jurídica seria bem mais contida, de 2,0%. As operações com recursos livres (-1,4%) deverão ser afetadas pela sazonalidade das linhas de fluxo de caixa, como desconto de duplicatas e recebíveis e antecipação de faturas de cartão, tipicamente negativas em abril. Já o volume de concessões direcionadas (-10,1%) deve seguir refletindo a interrupção no período dos programas públicos de crédito.

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