Avaliar uma empresa ou encontrar a valoração dela, o chamado valuation, não é tarefa fácil. Qualificar o tamanho da empresa é crucial para chegar nele.

De acordo com os pesquisadores da Fundação Instituto de Administração (FIA), Bruno José Esperança, Mauricio Neves e Rodolfo L. F. Olivo, encontrar o valuation é mais complicado no Brasil porque 98% das empresas são PMEs (Pequena, Micro e Médias), segundo o Sebrae.

“Assim, qualificar o tamanho delas é, por si só, uma controvérsia no Brasil”, disseram, acrescentando que, segundo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), as empresas brasileiras são classificadas por seus portes.

Qualificar o tamanho da empresa é crucial para chegar ao valuation, dizem especialistas

Microempresas

As microempresas são as que apresentam faturamento bruto anual menor ou igual a R$ 360 mil. Já as pequenas empresas podem obter faturaramento bruto anual maior que R$ 360 mil e menor ou igual a R$ 4,8 milhões.

As empresas de porte médio podem obter faturamento bruto anual maior que R$ 4,8 milhões e menor ou igual a R$ 300 milhões. Já as grandes empresas podem obter faturamento bruto anual maior que R$ 300 milhões.

“Ao contrário do que se pensa, o valuation pode ser conduzido também pelas pequenas e médias empresas, desde que sejam tomados alguns cuidados”, ressaltaram.

Teorias

Segundo eles, a maioria das teorias existentes para estimar um valuation exige cenário desenvolvido, com informações que muitas vezes não foram colhidas ou organizadas pelos respectivos administradores e suas equipes.

“Analisar o balanço e demonstrativos de empresas listadas em bolsa, com contabilidades extremamente profissionais, altamente formalizadas e auditadas com equipes de controle específicas para cada indicador, possibilita avaliar uma empresa de forma mais precisa. No geral, pegam-se estes dados e aplicam-se modelos de cálculo que chegam a diversos entendimentos”, frisaram.

E acrescentaram: “existem diversas técnicas para se encontrar o efetivo valor de uma empresa, sendo que a mais aplicada nas grandes é o fluxo de caixa descontado [FDC]. A metodologia busca encontrar o valor da empresa considerando a capacidade de retorno ao acionista.”

Teoria dos Múltiplos

Há também, disseram, a metodologia dos Múltiplos que permite encontrar o valor de um ativo ou empresa com base em ativos e empresas semelhantes. “Independentemente do método, é fato que as grandes empresas, principalmente as de capital aberto listadas em bolsa, têm informações muito mais acessíveis e organizadas”, destacaram.

Isso não quer dizer, porém, que companhias de pequeno e médio porte não possam se organizar para este fim. Há sempre a incerteza de quanto vale um negócio, por envolver emoção e razão. “É preciso ter em mente que o valor de uma empresa está relacionado ao conjunto de tudo o que ela oferece, indo além do preço da mercadoria e chegando a maneira como o cliente a percebe, conforme os conceitos de Philip Kotler, na área de produtos e serviços”, citaram.

Contadores

Nesse contexto, é importante que as empresas busquem se aproximar de seus contadores para produzirem uma análise gerencial do seu negócio, extrapolando quaisquer razões emocionais. “Com números reais, como as demonstrações de resultados [DRE], de fluxo de caixa e de balanço patrimonial, abre-se um leque de oportunidades. Ao saber periodicamente qual o resultado do negócio, que pode ser reinvestido na empresa ou usado em benefício do empresário, encontra-se a base para o valuation.”

Conforme eles, o valuation deve ser ajustado, positivamente ou negativamente, por ativos, contas a receber ou dívidas bancárias ou com fornecedores. “Esses dados são essenciais para a tomada de decisão.”

Métodos

Como já mencionado pelos especialistas, o FDC é a técnica mais popular do mercado por apresentar resultados mais precisos. “Em alguns casos, o modelo é suplementado por técnicas adicionais, como a avaliação de Múltiplos de mercado, visando oferecer um comparativo com empresas que atuam no mesmo segmento. Esses múltiplos podem ser de Vendas/Faturamento, de EBITDA, de Lucro, de Patrimônio, entre outros”, frisaram.

“Ao dividir o valor de venda pelo faturamento, chega-se a um múltiplo. No caso de uma empresa que faturou R$ 800 mil no ano e foi vendida por R$ 4 milhões, o múltiplo seria 5. Se outras companhias semelhantes [porte, segmento, atuação] tiverem múltiplos semelhantes, é possível admitir que o mercado considera este valor para negócios nesta área”, exemplificaram.

Primeiro passo

Segundo eles, o primeiro passo para obter o valuation de empresas consideradas Pequenas ou Médias é estar com a formalização em dia e ter, de forma organizada, os dados contábeis em mãos.

“Nesse cenário, independentemente do modelo escolhido, será possível chegar a um valuation, inclusive para empresas pequenas e médias. Caso contrário, o caminho deve ser: organize as contas, compreenda os números do negócio, aproxime-se dos contadores para entender, de fato, a empresa”, ressaltaram.

Segundo passo

O segundo passo é compreender a realidade do segmento. Se for uma franquia, basta observar negócios semelhantes ao seu. Em outros, é fundamental estar atento a companhias similares para identificar os seus múltiplos.

“Atualmente é possível realizar várias consultas em fontes de dados gratuitas governamentais ou contratar serviços para uma melhor compreensão”, disseram.

Além de pesquisadores, Bruno José Esperança é diretor geral do Grupo Esal, que comanda, entre outras, a Esalflores, maior rede de floriculturas do Brasil, Mauricio Neves é especialista em fusões, aquisições e infraestrutura, e Rodolfo L. F. Olivo é PhD em administração pela FEA-USP e atua como professor da Fundação Instituto de Administração (FIA).

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