Marfrig (MRFG3) lucra R$3,3 bi em 2020 e pretende voltar a distribuir dividendos

A Marfrig (MRFG3) lucrou R$ 3,3 bilhões em 2020 e pretende voltar a distribuir dividendos aos acionistas, conforme relatório encaminhado ao mercado.

De acordo com o Valor Econômico, no Brasil o ano do boi se traduz em matéria-prima cada vez mais cara — o que está longe de ser uma boa notícia, mesmo com o voraz apetite da China —, nos Estados Unidos, a empresa está gerando caixa como nunca, o que faz toda a diferença.

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Marfrig: EUA

Nas operações nos EUA, onde a companhia gera 80% do Ebitda, a demanda aquecida por carne e a ampla oferta de gado fizeram as margens baterem recorde. A Marfrig lucrou R$ 3,3 bilhões em 2020, com uma geração de R$ 4,9 bilhões de caixa livre.

Após anos na corda bamba, Molina virou o jogo com a compra, em 2018, do National Beef, a quarta maior indústria de carne bovina dos Estados Unidos. De lá para cá, ele conduziu um bem-sucedido processo de desalavancagem, um movimento visto com alguma desconfiança inicialmente — o empresário cresceu fazendo grandes aquisições, e houve quem duvidasse de sua faceta mais espartana.

Balanço

Ao divulgar o balanço de 2020, a Marfrig trouxe uma receita líquida de R$ 67 bilhões — o que a consolida como uma das dez maiores companhias privadas não financeiras do país —, e conciliou investimentos orgânicos (R$ 1,4 bi) com redução do endividamento. O índice de alavancagem atingiu 1,57 vez em dezembro, o menor entre os pares.

Ao Valor, Molina reiterou que o foco continua ser a redução do endividamento — por isso, não há aquisições no radar. Os investimentos da companhia serão apenas orgânicos, como a nova fábrica de hambúrguer que está em construção em Mato Grosso do Sul e um frigorífico planejado no Paraguai.

Dividendos

Nessa toada, a Marfrig tende a acelerar os pagamentos de dividendos a partir de 2022. Positivo para os acionistas, incluindo o empresário — no fim de 2019, Molina tomou um empréstimo para acompanhar um follow on que financiou o aumento da participação no National. Atualmente, ele e a esposa têm quase 50% do capital.

Ao todo, a Marfrig deve distribuir R$ 141 milhões em dividendos, um payout de 50%. O pagamento é uma relativa surpresa. A companhia precisava compensar prejuízos acumulados na última década e conseguiu fazer isso com o desempenho do ano passado. “Tínhamos o compromisso de pagar em 2022, mas conseguimos antecipar”, diz o empresário.

2021

Para 2021, a conjuntura segue conspirando a favor. Nos EUA, as margens permanecem acima da média graças ao estoque de 700 mil cabeças de gado que não foram abatidas no ano passado, quando várias indústrias do país reduziram o funcionamento em meio a surtos de covid-19.

“Começamos o primeiro trimestre com margens superiores na comparação anual”, diz Tim Klein, CEO da National Beef.

Ajuda a compensar as frustrações com o Mercosul. Na América do Sul, e particularmente no Brasil, o boi caro é uma pedra no sapato. Miguel Gularte, CEO da Marfrig, indica que a margem Ebitda das operações brasileiras e argentinas estão em “um dígito baixo”, aquém dos dois dígitos do ano passado.

Na B3, a expectativa positiva já impulsionou a Marfrig nesta segunda-feira: MFRG3 subiu mais de 4%, a maior valorização do Ibovespa no dia. Com os papéis a R$ 15,64, a empresa de Marcos Molina vale R$ 11 bilhões.

Veja MRFG3 na Bolsa:

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