“O incremento de 0,2% no PIB é muito pouco perto do que a nossa economia precisa para acelerar”

O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) irá liberar saques de até R$ 500 por conta. A medida começa a ser realizada a partir desta sexta-feira, 13 de setembro. O governo estima que ocorrerá um impacto de 0,2% no PIB, totalizando um efeito de 0,35% nos próximos 12 meses.  Segundo a Caixa Econômica Federal, serão liberados até R$ 28 bilhões em saques, ainda em 2019, e R$ 12 bilhões, em 2020, atingindo 96 milhões de trabalhadores. O mercado vê a liberação como positiva, principalmente por trazer um alívio momentâneo. Apesar disso, os agentes financeiros cobram mais medidas de longo prazo para destravar a economia brasileira, que ainda tem poucas previsões de crescimento.

O Estrategista-Chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, afirma que o principal favorecido com o aumento do consumo deve ser o varejo. “Na liberação do FGTS, temos um estímulo muito pontual. A movimentação é um fator que estimula sazonalmente a economia, e quem ganha com isso são as empresas de varejo”, diz. Em nota informativa o governo afirmou que os efeitos do saque devem ser sentidos principalmente na região Norte e Nordeste, apesar do Sudeste possuir um número maior de beneficiários. Dados do SPC indicam que 44% dos endividados no Nordeste têm débitos de até R$ 500. No Norte esse porcentual é de 42%. “Existem pesquisas apontando que a maioria das pessoas com o nome sujo pretendem limpar o nome para voltar a comprar. Isso afeta diretamente o consumo e impacta a economia, mas de forma moderada. Tanto é que o efeito previsto no PIB é muito pequeno”, complementa Laatus.

Segundo Jefferson, os saques têm pouco efeito no PIB, porém significam um respiro para uma situação econômica delicada. “O incremento de 0,2% no PIB é muito pouco perto do que a nossa economia precisa para acelerar, porém, todo estímulo é válido. Esses estímulos de curto prazo são pouco efetivos em destravar a economia. Mas é claro que já trazem um alívio”, afirma. De acordo com o Estrategista-Chefe, os efeitos das medidas de longo prazo ainda vão demorar a serem percebidos. “O governo precisa começar a concretizar as medidas de longo prazo, basicamente é o que o Banco Central está fazendo de cortar juros, as privatizações, reformas, investimento em infraestrutura. O problema é que o país está em déficit fiscal, tentando aprovar as contas e é bem provável que a gente não tenha nada de mais impacto este ano. Então esse trabalho que o governo está fazendo para ajustar as contas vamos sentir o ano que vem”, finaliza Laatus.

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