A crise causada pelo novo coronavírus (covid-19) afetou muitas empresas, de diversos segmentos, obrigando organizações a se reinventarem para que fosse possível passar pela maior crise sanitária e, consequentemente, financeira, dos últimos anos.

A partir disso, venho conversando com muitos empresários, para entender suas estratégias, tanto durante o isolamento social nos últimos meses, quanto suas perspectivas para 2021.

Desta vez, conversei com Renato Hacker, diretor de inovação da Speedo, marca mundialmente conhecida pela roupas e acessórios para a prática de esportes, para saber como o coronavírus transformou a empresa.

Fabrizio Gueratto: como o coronavírus transformou uma marca milionária

Como o novo coronavírus (covid-19) ajudou a Speedo a se reinventar? 

Primeiramente é importante ressaltar que a gente já vem apostando num movimento de inovação e transformação faz 2 anos. Começamos a desenvolver produtos mais segmentados e mais modernos para diferentes perfis.

Mas esse momento de pandemia foi um divisor de águas. Ela fez com que fosse possível refletir muito mais e melhor para reestruturar nosso modelo de negócio, principalmente na parte digital. Além disso, acelerou o processo de transformação com produtos mais diferenciados.

Por exemplo, acabamos de lançar durante a pandemia uma fita de suspensão para exercícios funcionais que pode ser levada para qualquer lugar e claro, é possível se exercitar no conforto de casa, que é onde a maior parte está se habituando a ficar mais tempo.

https://youtu.be/WZtm2i5_PHU

O que o consumidor pode esperar para 2021, apesar do coronavírus?

Para 2021 acredito que o consumidor esteja cheio de expectativas reprimidas e o cenário será muito promissor. Esse grande movimento do “fique em casa” pode ser um hábito que se perpetuará e, por isso, também, estamos apostando muito em novos produtos que tragam além de design e conforto, muita comodidade, ou seja, produtos para as pessoas usarem em casa.

Os números refletem que este novo posicionamento está dando resultado?

Os números estão refletindo um retorno imediato. Sentimos isso principalmente no inverno passado, mas claro que a pandemia interferiu nesse processo e tivemos que reavaliar muita coisa, inclusive adiando alguns dos grandes lançamentos para o ano que vem.

A Speedo está deixando de ser apenas uma marca de artigos esportivos?

Sempre tivemos um desenvolvimento muito forte em tecnologia com os atletas de ponta. Somos reconhecidos mundialmente pelos lançamentos mais importantes no ambiente aquático.

Isso também vem se transformando com o que chamamos de movimento anfíbio. Ou seja, produtos que vão muito além desse universo aquático onde a marca é consagrada.

Além disso, resolvemos oferecer tecnologia aliada a conforto e muito estilo. Muitas vezes é o que as pessoas mais procuram, assim como os atletas de ponta que já são muito mais exigentes com estilo. E assim criamos várias linhas novas que oferecem um apelo de moda.

Essa estratégia de virar uma empresa de moda é um caminho semelhante feito pela Adidas, por exemplo?

Acredito que as principais marcas esportivas hoje do mundo todo tem um percurso muito semelhante.

Então sim, estamos acompanhando a demanda de um público cada vez mais exigente em todos os aspectos e aproveitando para nos reinventarmos mais do que nunca.

Acabamos de lançar agora no inverno uma etiqueta nova de produtos mais Premium em termos de design e qualidade, que é uma das grandes apostas da marca para o ano que vem.

O que você falaria hoje, para quem quer começar a empreender?

Acredito sempre que qualquer pensamento e iniciativa devem ser inovadores em algum aspecto.

Mas, é uma junção de muitos fatores, porque a inovação tem que ter agilidade também. O “timing” é muito importante e as mudanças precisam ser mais aceleradas que nunca!

Ou seja, quem quiser empreender deve se organizar muito bem antes para saber o quanto poderá realmente oferecer do que tem disponível como ideia ou estrutura para não se frustrar precocemente.

Como numa partida de xadrez, deve-se prever pelo menos umas três jogadas antes do “xeque-mate”, para que uma boa ideia tenha relevância suficiente para se sustentar durante um bom tempo e, mesmo assim, sabendo que a iniciativa deverá fazer com que ela se transforme o tempo todo para combinar e se adaptar com os novos contextos que também se transformam. É complexo, mas quando se encontra essa diretriz, é menos complicado.

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