CDI bate 8 dos 10 maiores fundos e chama a atenção de investidores e poupadores

Os Certificados de Depósitos Interbancários são títulos emitidos pelos bancos como forma de captação ou aplicação de recursos excedentes. Levantamento da plataforma Morningstar  informa que o CDI bateu oito dos dez maiores fundos de investimentos.

O CDI foi criado em meados da década de 1980, e são aplicações com prazos de 1 dia útil, com objetivo de melhorar a liquidez de uma determinada instituição financeira. A escalada do certificado neste ano de 2020 foi alavancada pela reforma da previdência.

Isso porque, segundo o Valor Econômico, quem busca um plano de previdência, das duas uma: ou nem mesmo contribui com a Previdência Social, ou, se sim, não espera lá por grandes coisas das aposentadorias pagas pelo governo.

Assim, feita a reforma, que completa um ano em 2020, essa expectativa se deteriorou mais. E para quem tem dinheiro aplicado num dos maiores planos complementares do Brasil, a notícia a seguir não melhora muito o baixo astral. Mas melhor saber do que ignorar.

CDI bate 8 dos 10 maiores fundos e chama a atenção de investidores e poupadores

Dados

Conforme a pesquisa da Morningstar, os dez fundos de previdência vendidos no varejo com maiores patrimônios líquidos acumulados no Brasil deixaram a desejar neste primeiro ano de reforma da Previdência.

Desses, oito apanhavam do CDI em 12 meses até novembro. E todos eles rendem abaixo da inflação, ou seja, tem rendimento real negativo. Em alguns dos casos, também em períodos maiores que um ano.

Por acompanhar a Selic, essa taxa é considerada “livre de risco” pelo mercado. Ou seja, é o piso aceitável de retorno para qualquer aplicação.

Renda fixa

De acordo com o Valor, todos os fundos analisados são de renda fixa.

Ao jornal, o consultor financeiro Marcelo d’Agosto disse que como os juros eram muito altos, confortavelmente acima da inflação, praticamente qualquer aplicação rendia mais do que o IPCA.

“Então, o que as seguradoras vendiam era o acesso a uma aplicação que podia ser deduzida do Imposto de Renda, e a rentabilidade era praticamente secundária””, explicou.

Ele frisou que, nesse cenário, investidores lidavam praticamente com dois riscos, ainda presentes nas regras da previdência privada: caso optassem pela chamada “alíquota progressiva”, com tributação na declaração do IR, as condições financeiras poderiam ser diferentes lá na frente ou o governo mudar as regras do IR no meio do percurso.

Já se fossem pelo caminho da “alíquota regressiva”, com tributação na fonte, o risco era o de pagar um IR muito maior, caso se precisasse sacar antes de 10 anos, seja lá por qual motivo.

Anos depois de a renda fixa abandonar aquele mundo mágico dos dois dígitos, acompanhando a Selic rumo aos atuais 2% ao ano, o rendimento desses fundos virou um problema. E uma dor de cabeça adicional aos investidores é conseguir ficar sabendo disso. Se a falta de educação financeira é um entrave, fica potencializada com comunicação truncada.

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