A Guide Investimentos atualizou sua carteira recomendada de BDR’s para novembro ao inserir no portfólio as seguintes empresas: Alibaba, Apple, Berkshire Hathaway, Disney, Google, Johnson & Johnson, Netflix, Nike, Nvidia e Tesla.

“Para compor nossa nova carteira, optamos por ativos de grande resiliência, que consigam performar de forma positiva, mesmo diante de um cenário conturbado e adverso”, disse.

Conforme a gestora, no dia 22 de outubro, grandes empresas internacionais de capital aberto tornaram-se mais acessíveis ao mercado.

Até então, apenas investidores qualificados, com pelo menos R$ 1 milhão investido, poderiam investir em BDR’s, mas devido a publicação de uma nova norma da CVM e nova deliberação da B3, esta restrição foi derrubada, permitindo o acesso de qualquer investidor da bolsa ao produto.

BDR’s: Guide insere Alibaba, Apple, Berkshire Hathaway, Disney, Google e outras para novembro

BDR’s: novas condições

Diante das novas condições, a gestora resolveu criar sua primeira carteira recomendada de BRD’s. Com relação ao cenário, o mês de outubro foi negativo para os mercados ao redor do globo, refletindo o aumento significativo de casos de coronavírus na Europa e aproximação das eleições presidenciais e reprovação do pacote de estímulos fiscais nos Estados Unidos.

Alibaba (BABA34)

A companhia chinesa de varejo eletrônico vem mostrando uma trajetória de crescimento e ganho de mercado extremamente acelerada. Atualmente, a Alibaba contém em sua plataforma um total de US$ 1 trilhão em produtos, além de uma base de 750 milhões de clientes.

Recentemente, fizeram IPO do seu braço financeiro, Ant Group, a maior plataforma de pagamentos da China que levantou US$ 3 trilhões em recursos. Investidores de varejo na China apostam que a demanda pelos serviços financeiros do grupo deve ser a maior do mundo.

Assim como no Brasil, o segmento de Varejo Eletrônico disparou durante os períodos mais restritos de circulação durante a pandemia, já que era o único canal disponível para que o público em geral conseguisse consumir os produtos de seu desejo. Desse modo, muitos acabaram testando o serviço pela primeira vez e gostando. Esta tendência de consumo via e-commerce deve ajudar impulsionar ainda mais a performance de vendas da companhia, que já vinha crescendo bastante, mesmo com a reabertura gradual dos comércios físicos. A companhia vem ainda aumentando seu sortimento de produtos na plataforma e deve reportar resultados com maiores volumes de venda.

Destacamos ainda a iniciativa da companhia em expandir o serviço chamado Alibaba Cloud, que consiste no seu segmento de computação em nuvem e já representa hoje parcela de cerca de 9% das receitas totais, além de ter um potencial de crescimento de quase 60% ao ano. O foco da empresa agora, neste segmento, é conseguir aumentar sua participação no mercado, para depois priorizar sua rentabilidade.

Apple (AAPL34)

A gigante varejista do segmento de produtos eletrônicos, softwares e computadores vem surpreendendo o mercado ao longo dos anos com sua incrível capacidade de inovação de seu portfólio e ganho de mercado. Dentre os seus produtos de maior destaque, os computadores Mac e os smartphones Iphone, mas a companhia também fabrica o Ipod, Ipad, Apple Watch, Apple TV e Icloud, além de comercializar uma extensa variedade de serviços, acessórios para os seus produtos, conteúdos e aplicativos.

A Apple atualiza os softwares de seus produtos com frequência e lança todo ano um novo modelo com uma série de novas facilidades e inovações, visando tornar o dia a dia de seus consumidores cada vez mais simples. Foi o que ocorreu recentemente, quando a companhia optou por tomar a ousada medida de sustentabilidade, passando a vender o carregador do seu smartphone a parte. A Apple conta com grande fidelidade por parte de seus clientes, que, em grande parte, tentam acompanhar a maioria de seus lançamentos. Ainda, a empresa adota uma estratégia na qual a experiencia do cliente melhora à medida que adquire mais produtos Apple.

Seus resultados referentes ao 3T20 superaram as expectativas do mercado, com uma receita de US$ 65 bilhões. Ainda, contou com ligeira queda na venda de produtos (de US$51,5 bilhões no 3T19 para US$50,1 bilhões no 3T20), que foi compensada pelo aumento da receita de serviços (de US$12,5 bilhões para US$14,5 bilhões).

Berkshire Hathaway (BERK34)

A Berkshire Hathaway é uma holding, que tem o Warren Buffett, investidor americano renomado no mercado, como seu  principal acionista. A companhia atua em uma diversidade de segmentos, dentre eles os de varejo, seguros e bancos, com os quais a empresa já teve grande sucesso.

A companhia tem um crescimento médio de 20%, mas um grande atrativo aos investidores é a boa governança corporativa. Esta é referencia devido ao grande compromisso que o Warren Buffett possui com a gestão, a realizando de forma transparente e alinhando sempre o interesse da administração ao de seus acionistas.

Ressaltamos o histórico de sucesso com grandes investimentos em empresas como Coca-Cola e Apple e seu posicionamento recente menos exposto ao setor de companhias aéreas e mais ao de tecnologia, através da entrada em alguns IPOs, e mineradoras de Ouro.

A empresa tem um passado de retorno positivo, superando a performance do S&P, o que, na nossa visão, é uma grande vantagem competitiva.

Disney (DISB34)

A Disney foi uma companhia extremamente impactada durante os últimos meses. Isto porque a maior parte de sua receita vem dos seus parques temáticos e hotéis (37%), que ficaram fechados durante um longo período do ano. Ainda, a companhia deixou de ganhar com lançamentos de novos filmes nos cinemas, parte de estúdio e entretenimento que equivale a 15% da receita. A empresa teve de enfrentar a pandemia através de suas outras fontes de recursos que são a de TV por assinatura (35%) e venda de produtos com a marca Disney (15%).

No entanto, a companhia vem apostando grande fichas no seu recente lançamento, o Disney+, que consiste em uma plataforma de streaming com mensalidade de US$7, vs. a de US$13 do Netflix. Do público alvo endereçável nos EUA, 30% já é assinante da plataforma com apenas um ano do seu lançamento no mercado.

Vale dizer ainda, que a empresa detém a ESPN e a Hulu, que conta com 37% do seu mercado alvo já sendo assinante.

Reiteramos os riscos para uma segunda onda de infecções por Covid-19, que novamente pode prejudicar as receitas com parques, hotéis e novos conteúdos de entretenimento, mas deve impulsionar as assinaturas do Disney+, que também será lançado em novas regiões nos próximos meses.

Google (GOGL34)

A Google detém surpreendentes 86% de participação no mercado global de meios de pesquisa, além de ter uma forte influencia no segmento de compartilhamento de vídeos através do Youtube.

Destacada por sua vasta base de dados, a Google consegue mapear os diferentes usuários de seus serviços e então converter suas informações e preferências em anúncios eficientes que sejam interessantes a cada perfil específico. Estes “Ads” representam cerca de 85% de seu faturamento.

Existe também uma parcela extremamente significativa dos aparelhos de celular que operam através da instalação do Android, seu sistema operacional.

Por fim, a companhia também atua com o Google Play, Google Cloud e Moonshots, investimentos em projetos que estão em estágio inicial.

Johnson & Johnson (JNJB34)

A companhia atua em três grandes frentes: (I) Consumidor, com produtos direcionados a higiene bucal, cuidado com a pele etc.; (II) Farmacêutico, voltado para áreas terapêuticas; e (III) Médico, com produtos voltados para o uso dos próprios médicos no campo ortopédico, cirúrgico, cardiovascular, diabetes e visão.

A empresa é bastante sólida e resiliente e considerada um investimento mais seguro para compor a carteira.

Ressaltamos o fato de a companhia estar no processo de desenvolvimento de uma vacina para o Covid-19, o que pode gerar um grande otimismo no mercado nos próximos meses.

Seu último resultado operacional veio forte, impulsionado pela performance do segmento instrumentos médicos, que  mostrou grande recuperação. Ainda, contou com o crescimento na área de cuidados pessoais do consumidor e contínua expansão de medicamentos.

O grupo ainda revisou suas projeções de ganhos para o ano e aumentou em US$ 1 bilhão a previsão de receita, passando a ser de US$ 82 bilhões para 2020. A projeção para o lucro por ação foi aumentada em US$ 0,15, podendo ficar entre US$ 7,90 e US% 8,05.

Netflix (NFLX34)

A Netflix divulgou recentemente seus resultados referentes ao terceiro trimestre de 2020. Tal balanço decepcionou investidores por conta da queda brusca de novos assinantes, adicionando 2,2 milhões de novos usuários à sua base, enquanto a expectativa estava em 2,5 milhões, 6,8 milhões foram adicionados no mesmo período do ano passado e grande ganho de clientes nos dois primeiros trimestres devido ao isolamento social decorrente da pandemia.

Apesar da decepção com os números do terceiro trimestre, vemos a companhia com grande vantagem competitiva em relação ao seus pares. A Netflix é, atualmente, a empresa mais bem posicionada em lançamentos de produções originais e deverá manter tal ritmo nos próximos meses. Vemos um cenário no qual deverá seguir se beneficiando do crescimento e ampliação da penetração do serviço de streaming em todas partes do globo.

Além dos fatores já citados, a Netflix ainda possui regiões com grande espaço de consolidação de serviços, com a tendência cada vez mais negativa para serviços de TV a cabo. A desaceleração desse segmento corrobora com a tese de que há espaço para profundo desenvolvimento do streaming em diferentes localidades, principalmente na América Latina e Ásia. Sendo assim, vemos um cenário ainda propício para que a Netflix possa seguir com seu alto índice de captação de novos usuários através de seu portfólio robusto de conteúdo próprio e de terceiros nos próximos anos.

Nike (NIKE34)

A mais reconhecida varejista de artigos esportivos do mundo atualmente conta com uma forte inovação em iniciativas digitais para ampliar seu escopo de penetração em diferentes mercados ao mesmo tempo em que utiliza de seu know-how para seguir buscando o fortalecimento de marca. As projeções de forte performance no longo prazo se dão através da sua capacidade em criação e investimentos de novos produtos, cadeia de suprimentos e logística, e diferenciação via penetração de seu e-commerce.

Além disso, a Nike vem buscando reduzir sua dependência de mercados específicos para produção de seus produtos, principalmente da China, visando menor impacto no longo prazo com a ampliação das tensões entre Estados Unidos e o país asiático. Dessa maneira, temos observado a varejista migrando parcialmente sua produção para o Vietnam. Atualmente, quase metade de sua produção já foi migrada.

Por fim, vemos a companhia também extremamente bem posicionada em termos de reconhecimento de marca. Acreditamos que há grande dificuldade para que concorrentes consigam ameaçar o posicionamento atual da Nike para com seus clientes. Por mais que já tenha passado por crises de credibilidade no passado, a empresa sempre conseguiu superar tais questões, saindo ainda mais forte.

Nvidia (NVDC34)

O setor de tecnologia vem crescendo de forma exponencial ao longo dos últimos anos. A Nvidia faz parte deste, projetando unidades de processamentos gráficos para jogos e profissionais, além do sistema em unidades de chip para o mercado de computação móvel e autônomo.

A companhia criou a placa GPU em 1999, o que possibilitou o crescimento do mercado de jogos e redefiniu os gráficos modernos de computador. Esta mesma placa agora pode ainda vir a ser utilizadas em robôs e até carros autônomos, uma grande tendência para o futuro.

O mercado de jogos disparou durante a pandemia, já que muitas pessoas ficaram meses isoladas e portanto tiveram de optar por formas de lazer praticáveis dentro de suas casas. A alta no consumo de jogos eletrônicos deve chegar a 10%, comparada ao ano de 2019.

Tesla (TSLA34)

A companhia automotiva e  de armazenamento de energia trabalha com uma tendência do futuro, produzindo e vendendo automóveis elétricos que possuem bom desempenho, componentes para motores e transmissões para carros elétricos e produtos à base de baterias.

Muito focada em inovação, a Tesla busca produzir produtos resistentes, que possam ser constantemente atualizados.

A empresa publicou recentemente seus números referentes ao 3T20, que surpreenderam o mercado de forma positiva. No release, a empresa anunciou um investimento de cerca de US$4 bilhões até 2022 impulsionar o crescimento da empresa e se manter na posição de liderança no setor de carros elétricos.

Destacamos as vantagens competitivas da companhia: (i) produto altamente inovador, com capacidade de superar os atuais veículos a combustão; (ii) menor desvalorização dos seus veículos em relação a concorrência, em função das constantes atualizações de software nos veículos mais antigos, mantendo os veículos atualizados, mesmo de versões anteriores; (iii) margens elevadas mesmo com a quantidade de veículos produzidos ainda bem abaixo das outras montadoras; (iv) status premium da marca pode continuar alavancar as vendas nos próximos trimestres, semelhante ao efeito da Apple no mercado de smartphones.

Ações: Planner atualiza carteira mensal com BBSE3, LWSA3, MDIA3 e BEEF3

A Planner atualizou sua carteira recomendada de ações para novembro com as empresas BB Seguridade (BBSE3), Locaweb (LWSA3), M Dias Branco (MDIA3) e Minerva (BEEF3).

Estas companhias entraram no lugar de Compania de Saneamento de MG (CSMG3), BR Properties (BRPR3), Engie (EGIE3) e Itau Unibanco (ITUB4).

Permanecem na carteira as seguintes empresas: EcoRodovias (ECOR#3), C&A (CEAB3), Trisul SA (TRIS3), Vivo (VIVT4), BR Distribuidora (BRDT3), e Via Varejo (VVAR3).

Quanto a carteira de dividendos, permaneceu apenas a Taesa (TAEE11), e entraram Compania de Saneamento de MG (CSMG3), Grendene (GRND3), Santandser Brasil (SANB11, e Compania Transmissora de Energia Eletr Paulista (TRPL4).

Foram retiradas da carteira recomendada as seguintes empresas: Grupo CCR (CCRO3), Direcional Engennharia (DIRR3), Hypera Pharma (HYPE3), e Porto Seguro Seguros (PSSA3).

Análise

A última semana de outubro chacoalhou as principais bolsas mundiais, com o aumento da desconfiança sobre a recuperação da economia global no curto prazo que tem como principal justificativa a segunda onda do coronavírus.

De certa forma, os efeitos da primeira onda de contaminação, ainda que altamente negativos, vinham sendo superados, com os países buscando a retomada das atividades normais. O PIB do 3T20 na zona do euro cresceu 12,7% sobre o 2T20, que havia caído 11,8% entre abril e junho, segundo dados da Eurostat.

Sem condições ainda de mensurar o impacto dos novos casos, os mercados entram em fase de cautela redobrada.

Para piorar as situação, a corrida presidencial nos EUA, com a eleição nesta terça-feira (03/11), segue acirrada e acontece em meio a uma forte pressão sobre o governo Trump pelo tratamento dado ao combate à Covid-19 com um aumento maciço de novos casos recentemente no país, além da não aprovação do pacote de estímulos à economia, desacordos comerciais com a China, manifestações de racismo, etc.

Do lado doméstico, a piora nas contas do governo com o déficit fiscal assumindo proporções gigantescas e a dificuldade da pauta política, que deveria caminhar para amenizar estes efeitos, sustenta um comportamento de aversão ao risco. “Caminhamos para o final do ano sem uma sinalização de avanços em negociações que deveriam ser prioritárias e apenas com uma indicação de que algo possa acontecer após as eleições municipais”, informou.

Com isso, nem mesmo a safra de resultados corporativos confirmando uma recuperação importante nos resultados das companhias, tem sido suficiente para segurar os preços.

“As bolsas passaram por um forte ajuste nos quatro últimos pregões de outubro, com o Ibovespa devolvendo a valorização acumulada até o dia 26 e encerrando o mês com queda de 0,69%. A Carteira Planner acompanhou a curva do Ibovespa até o dia 26/10, mas a queda do mercado pesou forte nos quatro pregões finais, gerando perda de 3,19% no mês. Considerando todos estes aspectos, seguimos com uma carteira diversificada em vários setores e mantendo papéis mais resilientes.”

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