Banco do Brasil (BBAS3): Lucro e ROE do 1º tri de 2021 não devem se manter, diz gestora

A XP Investimentos analisou o ativo Banco do Brasil (BBAS3) em seu portfólio e destacou que embora a instituição financeira tenha superado o consenso em 23%, bem como as estimativas da gestora em 16%, por conta do lucro de R$ 4,9 bilhões, implicando num retorno sob patrimônio (ROE) de 15%, essa elevação não deve se manter à frente.

Os analistas Marcel Campo e Matheus Odaguil elencaram que o número foi fortemente impulsionado por menores provisões. “Não acreditamos ser sustentável ​​nos próximos trimestres. Dito isso, não esperamos uma reação forte do mercado no próximo pregão. No geral, acreditamos que os próximos trimestres devem ser impulsionados pelo consumo de cobertura ou por resultados mais baixos, e estamos fortemente favoráveis ​​ao primeiro devido a maiores rendimentos de dividendos em um banco com índice Tier I de 17%”, disseram.

Assim, eles optaram por manter o rating de compra e preço alvo de R$ 43. “Acreditamos que os múltiplos do banco sejam atrativos com 4,2x P/E e 0,6x P/B, enquanto operacionalmente a instituição segue defendido com boas taxas de cobertura/adequação de capital e uma carteira defensiva.”

Banco do Brasil

Para os especialistas, a qualidade dos ativos foi positiva, visto que as provisões ajudaram no resultado, uma vez que o custo de crédito do banco ficou R$ 1,2 bilhão abaixo das expectativas da gestora, adicionando R$ 1 bilhão em ganhos (líquido de impostos).

“Embora seja uma medida discricionária, o banco consumiu 22 pps do seu índice de cobertura e acreditamos que os investidores podem tomar suas próprias decisões quanto se deve ser comparado com o consenso ou não. Por outro lado, apresentou o menor aumento no índice de inadimplência no trimestre (5 bps QoQ para 2,0%)”, destacaram.

Também disseram que a linha continua a ser um sinal de problema, uma vez que as ações cíveis aumentaram no período e forçaram uma provisão maior que saltou 171% A/A para R$ ,2 bilhão (vs. um aumento de 36% A/A nas ações trabalhistas no último trimestre para R$1 bilhão).

“Surpreendentemente, o banco também fez R$ 1 bilhão em perdas no trimestre relacionadas aos benefícios de contratos de folha de pagamento mais baixos projetados pelo banco. Lembre-se de que o último: i) não deve afetar o fluxo de caixa; ii) é uma conta dedutível de impostos; e iii) poderia ser tratada como única, uma vez que nenhuma perda foi feita em 2020 e apenas R$ 1 bilhão em 2019 como um todo”, frisaram.

Já os custos ficaram estáveis, negativos. Despesas com pessoal e outras despesas administrativas (ex provisões operacionais) ficaram estáveis ​​em R$ 7,7 bilhões, o que a gestora diz acreditar ser negativo, uma vez que o índice de eficiência do Banco do Brasil já está abaixo de seus pares privados, que atualmente estão em uma corrida para reduzir custos e competir com os mais leves desafiadores digitais.

Banco do Brasil (BBAS3): Lucro e ROE do 1º tri de 2021 não deve se manter, diz gestora

Capital

Eles ressaltaram, ainda, que a adequação do capital se deteriorou. “Enquanto os empréstimos e outros ativos rentáveis ​​mantiveram-se praticamente estáveis ​​no trimestre, com crescimento de 2% e 1%, respectivamente, o RWA saltou 8% no mesmo período, para R$ 827 bilhões. Como os lucros reinvestidos não conseguiram manter o ritmo, o índice Tier I da empresa deteriorou-se 67 bps no trimestre para 16,6%. Embora ainda seja um nível confortável, prejudica a possibilidade de um pagamento elevado (> 60%) no curto prazo, visto que o banco também tem de pagar financiamento do governo”.

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