Entendendo os números do Payroll, um dos indicadores mais importantes do mercado

Matheus Jaconeli é economista e escreve neste espaço regularmente

Um dos indicadores de atividade econômica mais importantes e aguardados do mercado financeiro é o relatório de criação de empregos do setor não-agrícola nos Estados Unidos, também conhecido como payroll.

Mesmo que o indicador seja da economia americana, o fato dos mercados financeiros serem altamente globalizados, permitindo a livre circulação de capitais, o indicador acaba por impactar os mercados financeiros de todo mundo, até porque se trata da maior economia do planeta e o país mais importante não apenas em termos econômicos, mas também militares, políticos e diplomáticos do mundo. Assim, como os demais indicadores divulgados em solo americano, gerará impacto nos mercados ao redor do mundo.

Por se tratar de um indicador relativo ao mercado de trabalho, ele tem um significado econômico muito importante. Quando um indicador relacionado à criação de vagas é positivo ou acima do esperado, isso significa que a economia está mais aquecida, pois mostra que as famílias terão aumento de sua renda disponível e passarão a consumir mais, estimulando o lado da demanda. Fazendo com que haja a aquisição de mais bens e serviços na economia aumentando os lucros das companhias de inúmeros setores.

Levando em consideração o momento atual, em que os Estados Unidos estão saindo de uma forte crise, números elevados do mercado de trabalho acabam sendo um bom indício de que a economia está saindo do buraco.

  • Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego e folhas de pagamento da ADP Systems:

Nessa sexta-feira (07) o Bureau of Labor Statistics publicou os números do payroll, os indicadores, também relativos ao mercado de trabalho, que antecederam a data do payroll como o indicador da ADP Systems que mostra a variação dos empregos criados apenas em companhias privadas saindo de 565 mil para 742 mil e os pedidos por seguro-desemprego que tiveram diminuição considerável saindo de 590 mil pedidos para 498 mil mostrando evolução na criação de empregos diminuindo a necessidade do benefício governamental.

Entendendo os números do Payroll, um dos indicadores mais importantes do mercado

Como pode ser visto no gráfico acima, a demanda pelo benefício atingiu seus menores níveis desde o começo da crise, sendo um indício de que a condição do mercado de trabalho estaria melhor.

No dos empregos criados em abril publicados pelas folhas de pagamentos da ADP Systems também fortaleceu as perspectivas dos agentes em relação aos dados do Payroll.

  • O Resultado e seus desdobramentos.

Por fim, os dados do indicador. Os números vieram aquém do esperado e menores que o registrado no mês de março. O consenso de mercado apontava para a criação de 978 mil vagas ante 770 mil em março. Todavia o resultado divulgado foi de 266 mil vagas.

Entendendo os números do Payroll, um dos indicadores mais importantes do mercado

Como resultado, o presidente americano, Joe Biden disse que a criação de empregos evidencia a necessidade da continuação de estímulos à e economia, tal como a secretária do Tesouro Americano Janet Yellen que viu certos aspectos positivos nos números, principalmente na criação de empregos nos setores de hospitalidade e de lazer.

Essas manifestações dos formuladores de políticas, estão estreitamente ligadas ao bom desempenho do mercado financeiro, mesmo com um número frustrante de criação de vagas. Pois um número baixo estimula o governo injetar mais dinheiro na economia, aumentando ainda mais os investimentos e gastos do governo com o objetivo de estimular a demanda agregada, elevando as expectativas de renda das famílias, que já vem se elevando fortemente.

Do ponto de vista da política monetária, o número mostra de forma indireta que o FED manterá o discurso dovish com o objetivo de continuar com a manutenção do relaxamento monetário o que fez os rendimentos dos Treasuries ficaram abaixo dos 1,60%.

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  • Debate:

No entanto, o desempenho da criação de empregos também dá margem para outro tipo de argumento. Enquanto Biden e Yellen dizem que o resultado implica na necessidade de mais estímulos à economia, alguns governadores republicanos dizem o oposto. De acordo com um estudo do National Bureau of Economic Research, intitulado “Unemployment Benefit Replacement Rates during the Pandemic” ou Taxas de substituição de benefícios de desemprego durante a pandemia em português, parte dos americanos contemplados pelas medidas de ajuda, acabaram ficando em situação melhor com benefício em comparação ao momento em que estes estas estavam empregadas. Assim, tais governadores dizem que mais estímulos por intermédio de políticas de renda podem afetar a criação de empregos, uma vez que muitos estariam indispostos a trabalhar recebendo um salário análogo ao benefício concedido pelo governo, os pesquisadores Peter Ganong, Pascal J. Noel e Joseph S. Vavra usaram o exemplo de beneficiários oriundos dos setores de varejo ou que trabalhavam como zeladores estariam recebendo mais com o benefício em comparação aos seus colegas que estavam empregados. O economista Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro Americano informou no programa da Bloomberg “Wall Street Week” fez com que houvesse escassez de mão-de-obra.

Outro estudo do Economic Policy Institute escrito pela economista Heidi Shierholz, diz que não há nada comprovado quanto ao pagamento dos benefícios. No artigo ela argumenta que o motivo para que as pessoas não aceitem os empregos, principalmente em setores que exigem menor especialização, é o de que as companhias estão dando salários muito baixos e que os empregadores, ao reabrirem deveriam dar salários melhores por estarem aumentando a demanda por mão-de-obra para reabrirem. Por outro lado, seguindo os governadores em questão acreditam na lógica do excesso de mão-de-obra e, como abundância de desempregados, é normal que os salários não estejam em níveis tão elevados.

É quase consensual que os benefícios eram necessários para manter a renda no momento de crise, mas se a magnitude dos benefícios e o dinheiro adicional injetado na economia americana fez mais bem do que mal. Como está nas Noites Áticas do jurista e escritor Aulo Gélio “Veritas Filia Temporis” –  A verdade é filha do tempo.

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