A Petrobras (PETR4) fechará 2020 com entrada em caixa de cerca de 2 bilhões de dólares em desinvestimentos, disse a empresa na quarta-feira (23), após a conclusão da venda da totalidade da subsidiária de distribuição de gás Liquigás a um grupo formado por Itaúsa, Copagaz e Nacional Gás Butano.

Segundo a Reuters, a companhia anunciou ontem o fechamento do negócio envolvendo a Liquigás, que atua no engarrafamento, distribuição e comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP) e possui 21,4% de participação de mercado no Brasil, por meio do pagamento de 4 bilhões de reais pelos compradores.

“Com essa transação, com esse ‘closing’ de hoje, nós vamos chegar nos 2 bilhões… Arrendondando, mas aproximadamente 2 bilhões de dólares”, afirmou a gerente-executiva de Gestão de Portfólio da Petrobras, Ana Paula Saraiva, em conferência com jornalistas.

Petrobras (PETR4) tem prejuízo no 2º tri; despesas com hedge e PDVs pesam
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A estatal

A estatal tem ampliado os processos de desinvestimentos nos últimos anos, buscando reduzir seu endividamento e focar suas atividades na produção e exploração de petróleo e gás em águas profundas e ultraprofundas. Para o período de 2021 a 2025, a previsão é de que as vendas de ativos somem entre 25 bilhões e 35 bilhões de dólares.

Saraiva disse que a conclusão da venda da Liquigás foi uma “batalha” para a Petrobras, e classificou o fechamento do negócio como “um dia bacana”.

A petroleira

A petroleira chegou a passar, em 2018, por uma primeira tentativa de venda da Liquigás, na ocasião para o Grupo Ultra, mas a transação acabou bloqueada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Também na conferência, o diretor de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade, Roberto Ardenghy, afirmou que a venda da Liquigás tende a ser benéfica para o consumidor, acrescentando que o mercado “já tem um certo nível de concorrência” e que o Cade aprovou a operação com restrições.

Órgão antitruste

O órgão antitruste condicionou a venda da subsidiária à assinatura de um Acordo em Controle de Concentrações (ACC), para assegurar que o compartilhamento de ativos e prestação de serviços entre concorrentes “não favoreça a adoção de práticas coordenadas pelas empresas”, segundo decisão de novembro.

TBG E TSB

Mais cedo nesta quarta-feira, a Petrobras havia comunicado o início do processo para venda da totalidade de suas participações na TBG, empresa que opera o gasoduto Bolívia-Brasil, e na TSB, que tem dutos no Rio Grande do Sul e projeto para futura conexão à Argentina.

Ardenghy afirmou que os movimentos são como um passo final no processo de saída da Petrobras do segmento de transporte de gás, em linha com a estratégia da empresa e com compromissos junto ao Cade, órgão com o qual assinou um Termo de Compromisso de Cessação (TCC) para vendas de ativos de gás natural.

A companhia

A estatal possui 51% da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil e 25% da Transportadora Sulbrasileira de Gás.

Segundo a gerente Ana Paula Saraiva, a expectativa é que a assinatura dos acordos ocorra no ano que vem, embora não seja possível precisar uma data.

“Quando a gente vai para o mercado, tem que aguardar a resposta do mercado em termos de competição, de negociação de documentos… Mas nossa expectativa é ano que vem para TBG e TSB também”, disse ela.

Desinvestimento

Como a divulgação do desinvestimento na TBG dependia de uma manifestação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), obtida recentemente, Saraiva acrescentou que é possível negociação com o Cade em caso de dificuldades para cumprir o prazo para conclusão do negócio.

“No caso da TBG, a gente prevê o ‘signing’ para o ano que vem, e se não for possível fazer o ‘closing’, a depender da resposta do mercado, a gente conversa, sim, com o Cade”, disse.

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