Uma nova fase da Operação Lava Jato foi deflagrada ontem para apurar possíveis fraudes em operações de câmbio negociadas entre a Petrobras (PETR4) e o Banco Paulista.

Batizada de Sovrapprezzo, que significa sobretaxa em italiano, uma ação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão relatada à investigação da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, que identificou prejuízos de quase R$ 100 milhões à estatal.

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PETR4: MPF

Em conjunto com o MPF (Ministério Público Federal), a PF (Polícia Federal) cumpre mandados nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Teresópolis (RJ). Na capital fluminense, sede da Petrobras foi um dos alvos.

“O decréscimo ou acréscimo nas taxas de câmbio era quase imperceptível. Mas o prejuízo à Petrobras alcançou quase R $ 100 milhões”, diz o procurador Antonio Diniz.

Segundo o UOL, a operação de hoje é um desdobramento de uma fase da Lava Jato realizada em maio do ano passado, chamada Disfarces de Mamon.

À época foram presos executivos do Banco Paulista, sendo que um deles forneceu informações para uma investigação que envolve a Petrobras em acordo de delação premiada.

Entre os alvos dos mandados de ontem, estão três executivos do Banco Paulista. Além deles, há três funcionários que trabalhavam no sistema de câmbio da Petrobras à época do esquema, que teria funcionado entre 2008 e 2011.

Medidas cautelares ainda são cumpridas contra familiares dos profissionais que participado do esquema na estatal, por suspeita de participação na dissimulação e ocultação de variações patrimoniais.

Bloqueio

A Justiça ainda determina o bloqueio de ativos financeiros dos encargos nas fraudes em contas no Brasil e também no exterior, podendo chegar ao limite de R $ 97,9 milhões.

Os alvos da operação de hoje são investigados por crimes contra a administração pública e contra o sistema financeiro nacional, além de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa e associação criminosa. Os suspeitos podem ser condenados a penas que somadas variam de 33 a 38 anos de prisão.

Sobrepreço e cerveja

De acordo com uma investigação, o esquema funcionava com uma combinação codificada de superfaturamento que seria incluído nas taxas de câmbio das operações financeiras realizadas entre a Petrobras e o Banco Paulista.

Em conversa por telefone, um gerente do banco no Rio de Janeiro dava instruções a funcionários em São Paulo.

A instrução se dava nas manhãs em que eram fechados os contratos, com cada “lata de cerveja” equivalente a R $ 0,001 a mais na taxa de câmbio.

A variação resultava em diferenças relacionadas por causa das quantias bilionárias taxas nas operações de câmbio em dólar, que totalizaram R $ 7,7 bilhões no período.

A apuração da força-tarefa ainda concluída que há indícios do pagamento de propina para funcionários da Petrobras, e que parte dela era dividida posteriormente com executivos do banco.

PETR4: Banco Paulista

O Banco Paulista ainda firma contratos fraudulentos de consultoria com a empresa de fachada QMK Marketing e Qualidade, que tinha como objetivo distribuir os ganhos e lavar o dinheiro da prática ilegal.

Uma investigação apontou que 81% do valor vencido nos contratos era devolvido ao escritório carioca do banco por meio de uma empresa de transporte de valores.

Veja PETR4 na Bolsa:

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