Fatores externos e risco doméstico pressionaram o câmbio neste início do ano, analisa XP

A apreciação cambial e a contração fiscal dão conforto ao Copom para manter a Selic em 2% por ora

Os fatores externos e o risco doméstico pressionaram o câmbio neste início do ano. A avaliação é da XP Investimentos para quem os fundamentos ainda sugerem o real mais valorizado. “Projetamos R$ 4,9 por dólar em 2021 e R$ 4,8 em 2022”, destacou a equipe de economia.

De acordo com a gestora, o fim dos programas emergenciais pesa sobre a atividade. O mercado de trabalho melhor, os juros baixos e, mais adiante, a vacina, tendem a manter o crescimento positivo.

Dinheiro disponível no mercado global atrai empresas brasileiras
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Câmbio

Já a apreciação cambial e a contração fiscal dão conforto ao Copom para manter a Selic em 2% por ora. “Projetamos que o ciclo de alta deve começar em agosto, e se prolongar em 2022 até a Selic atingir 4%”, ressaltou.

Ainda assim, frisou, o risco fiscal segue elevado, ainda que a dinâmica da inflação ajude no cumprimento do teto de gastos em 2022. “Avançar nas reformas é crucial para garantir um cenário equilibrado em 2021 e adiante.”

Vale e Copel

A XP também analisou dois ativos em seu portfólio, por conta de fatos relevantes recentes destas companhias.

Segundo a gestora, a Vale irá adquirir a participação da Mitsui em Moatize e NLC por US$ 1,0 cada. Além disso, mineradora consolidará todos os ativos e passivos relacionados às entidades NLC, incluindo o saldo em aberto de US$ 2,5 bilhões (Project Finance) de Nacala.

Esta consolidação deve gerar um impacto de US$ 300 milhões por ano nas despesas operacionais relativas à tarifa NLC, que atualmente impactam o EBITDA do segmento de carvão.

“Vemos esse movimento como positivo para a empresa, pois ela se concentra um pouco mais no negócio principal (minério de ferro) e melhora a geração de caixa no longo prazo. Mantemos nossa recomendação de Compra para as ações da Vale”, destacou.

Quanto à Copel, o conselho de administração aprovou o encaminhamento da proposta de reforma do Estatuto Social para deliberação da Assembleia Geral de Acionistas.

A reforma do estatuto contempla significativos avanços em governança corporativa, dentre eles destacamos:

  • O programa de UNITs:  O programa contempla um desdobramento de ações na proporção de 1 para 10 com a possibilidade de conversão de ações na razão de 1 ON para 1 PNB (e vice-versa). A formação de uma UNIT será composta por 5 ações de emissão da Companhia, sendo 1 ON (CPLE3) e 4 PNB (CPLE6);
  • Adesão ao Nível 2 de Governança Corporativa da B3: O nível 2 de governança da B3 estabelece, entre outros o Tag along de 100% para as ações Ordinárias e Preferenciais, conferindo tratamento equitativo aos acionistas da Companhia e o direito de voto para os acionistas preferencialistas em assuntos que tratem de transformação, incorporação, cisão ou fusão da Companhia;
  • Nova Política de Dividendos: De acordo com a nova política as propostas de dividendos regulares serão calculados conforme os critérios como Alavancagem abaixo de 1,5x = 65% do Lucro Líquido Ajustado, Alavancagem entre 1,5x e 2,7x = 50% do Lucro Líquido Ajustado e Alavancagem acima de 2,7x = 25% do Lucro Líquido Ajustado.

“Temos uma visão positiva dos anúncios da Copel, pois sinalizam avanços bem-vindos em governança corporativa que ganham ainda mais importância após elevação da percepção de risco após a divulgação recente de carta do acionista controlador da companhia, o Governo do Estado do Paraná”, frisou.

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