Especialistas em câmbio explicam se a liberdade do ex-presidente tem relação com a alta da moeda americana

O ex-presidente Lula (PT) saiu da sede da Polícia Federal em Curitiba na última sexta-feira, onde esteve detido por 580 dias, devido a sua condenação em segunda instância. Com o petista em liberdade, os mercados aguardam os desdobramentos políticos com cautela. O dólar abriu a semana sendo cotado a R$ 4,16, porém, não é somente a liberdade de Lula que vem causando a alta da moeda americana frente ao real. Segundo especialistas, além das incertezas quanto ao STF, o cenário externo também faz com que os investidores busquem posições mais defensivas, pressionando o preço do dólar para cima.

Jefferson Laatus, Estrategista-Chefe do Grupo Laatus, acredita que as incertezas são provocadas muito mais pela instabilidade do setor judiciário. “Mercado está precificando outros fatores, acredito que essa alta não é por conta do Lula, mas sim em relação ao STF como um todo”, afirma. Segundo Laatus, apesar da alta, os mercados seguem estáveis, sendo o cenário externo o principal responsável pelo dólar acima dos R$ 4,15. “Apesar de tudo isso temos os mercados estáveis aqui. Os fatores estão sendo mais externos do que internos. Guerra comercial, Hong Kong e América latina estão pesando e fazendo com que os investidores busquem um pouco mais de proteção até se acalmarem e diminuírem as incertezas. O fator Lula, por hora, não faz preço, temos a economia andando e a equipe econômica está trabalhando para aprovar as reformas”, completa.

Para Fernando Bergallo, Diretor de Câmbio da FB Capital, a questão da suspeição de Sérgio Moro tem muito mais peso e pode gerar instabilidade. “Se confirmada, retornaria o julgamento para primeira instância o tornando elegível novamente. Nesse caso, teríamos mais efeitos no curto prazo”, explica. O Diretor de Câmbio explica que a semana, mais curta por conta de feriados no Brasil e EUA, será de volatilidade nos mercados “É importante destacar que o mercado começa com cautela em meio a uma semana de feriados, na segunda-feira nos EUA e sexta-feira aqui no Brasil. Por isso, a uma tendência de os mercados serem mais voláteis na semana mais curta”, diz. De acordo com Bergallo, existem diversos fatores externos que pressionam o valor do dólar para cima. “O mercado está operando nas máximas por conta de vários fatores. Temos tensão comercial entre EUA e China, onde acabou se deteriorando a perspectiva de um desfecho favorável na semana passada, quando foi adiada a reunião entre o presidente americano e o chinês. Temos também o início das audiências com relação ao impeachment do presidente Trump”, finaliza.

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