O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira (23) que a taxa de câmbio no Brasil já passou por ‘overshooting’, e que a economia está mais saudável num quadro de juros básicos mais baixos e patamar mais alto do dólar frente ao real.

Overshooting significa ultrapassagem e denota uma reação mais que proporcional da taxa de câmbio a uma variação da oferta de moeda no curto prazo.

Paulo Guedes

Guedes: endividamento

Em evento anual conjunto da Empiricus e da Vitreo, ele afirmou que no passado havia endividamento em bola de neve num quadro com Selic alta e câmbio sobrevalorizado, que ele avaliou como “combinação bastante perversa de dois preços críticos na economia”.

“Economia está muito mais saudável, em vez de com juros a 10%, 12% e o câmbio a 1,80, 2,00, 2,20, 2,80 (reais), economia muito mais saudável se ela estiver com juro de 2% e câmbio de 5,00. É muito melhor. Acredito, inclusive, que o câmbio brasileiro já fez o overshooting”, disse Guedes.

“Quando você troca o patamar de equilíbrio, ele normalmente dispara, passa de um nível de equilíbrio e depois aterrissa num nível mais baixo. Então acho que nós já fizemos o overshooting se prosseguirmos com as reformas”, acrescentou.

Dólar, ontem

O dólar voltou a fechar em firme alta ante o real, numa segunda-feira (23) marcada por força global da divisa norte-americana após dados robustos de atividade nos Estados Unidos, enquanto o desconforto doméstico sobre a situação fiscal seguiu fazendo preço.

O dólar à vista subiu 0,90%, a 5,4353 reais na venda, depois de oscilar entre 5,3395 reais (-0,88%) e 5,4513 reais (+1,19%).

Na sexta-feira, o dólar havia saltado 1,39%, maior alta desde 28 de outubro.

Nesta segunda, a moeda operou em queda pela manhã, mas tomou fôlego após dados de atividade empresarial nos Estados Unidos terem vindo bem acima do esperado, provocando uma cobertura de posições vendidas na moeda norte-americana.

A atividade empresarial nos Estados Unidos expandiu no ritmo mais rápido em mais de cinco anos em novembro, liderada pela aceleração mais forte da indústria desde setembro de 2014, mostrou nesta segunda-feira a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

Números fortes nos EUA sugerem que o país segue mais atrativo para investimentos, o que pode direcionar para a maior economia do mundo fluxo de investidores que cogitariam aplicar em ativos mais arriscados, como os de emergentes.

O dólar saltava frente a várias outras moedas, com destaque para altas de 3,25% ante lira turca, 1,19% contra peso chileno e 0,45% frente ao iuan chinês.

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