O Bradesco (BBDC4) obteve a aprovação que faltava para assumir o controle do BAC Florida, banco nos Estados Unidos cuja aquisição foi anunciada no ano passado por US$ 500 milhões.

Segundo o Valor Econômico, o plano de negócios prevê a preservação de boa parte da gestão atual da instituição americana.

Bradesco

Mesa brasileira

No entanto, uma “mesa brasileira” será montada para gerar operações e prospectar a clientela do país interessada em ter uma conta no exterior — que poderá ser acessada diretamente lá, com atendimento em português, ou por meio do Bradesco.

O BAC marca a primeira aquisição de um banco pelo Bradesco fora do Brasil. A instituição pertencia ao grupo Pellas, da Nicarágua, e fechou o ano passado com US$ 2,259 bilhões em ativos.

Alta renda

Com foco na alta renda, o modelo prevê a oferta de serviços bancários tradicionais — conta corrente completa, cartão, produtos de crédito e investimentos. Não há, portanto, uma reinvenção da roda, e isso é proposital.

“Queremos que nossos clientes possam fazer lá fora o mesmo que fazem aqui, mas com a nossa chancela”, afirmou Marcelo Noronha, vice-presidente de atacado do Bradesco, ao Valor.

A proposta

A proposta do banco é capturar o público que tem intenção de comprar imóveis, investir e manter recursos no mercado americano, mas quer ser assessorado por alguém que conheça.

Por isso, os serviços serão voltados à clientela do private banking e da faixa superior do Prime, os dois segmentos de alta renda do Bradesco.

Instituição financeira

Pelo menos neste momento, não está no radar da instituição financeira o público que viaja para o exterior e quer uma conta para essas situações, na linha do que oferecem bancos digitais como C6 Bank e BS2.

Com a proposta, o Bradesco espera preencher uma lacuna na sua prestação de serviços aos brasileiros mais endinheirados, um segmento rentável que passou a ser fortemente disputado nos últimos anos por outras instituições financeiras e pelas corretoras. “O objetivo é relacionamento”, afirma.

Expectativa

A expectativa do Bradesco era obter a última aprovação dos reguladores — são cinco, no total — em abril. O cronograma foi atropelado pelo coronavírus e só agora o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deu o sinal verde que faltava para a operação.

Com isso o banco poderá concluir a transação e, cerca de 90 dias depois do fechamento, espera dar início à originação de clientes.

Diretrizes

Não mudam, entretanto, as diretrizes da operação. O Bradesco já definiu que vai manter na presidência do BAC o executivo Julio Rojas, que está à frente da instituição americana desde o fim de 2016.

Henrique Lima, que era responsável pelo banco de investimento do Bradesco, será copresidente. Felipe Marcílio, superintendente-executivo, é o responsável por criar a mesa brasileira.

BBDC4: manter a equipe

Outra decisão já tomada, segundo Noronha, é a de manter a equipe do BAC, formada por cerca de 170 funcionários de 23 nacionalidades. “São pessoas com muito tempo de casa. É uma cultura parecida com a do Bradesco, de formar pessoas, e temos que cumprir as leis americanas. Não dá para gerir como unidade de negócios”, diz.

Um passo seguinte será reforçar a equipe responsável pela operação do BAC junto a empresas da América Latina.

BBDC4: potencial

Noronha vê potencial em serviços como remessas, câmbio e outras atividades para esses clientes.

A instituição americana tem ainda um banco digital de varejo, que capta recursos em todos os Estados americanos. Não há planos de mexer nessa unidade por enquanto. “Tem grande potencial de crescimento”, diz.

Veja BBDC4 na Bolsa:

Compartilhe

Categorias do artigo

  • Relacionados: