A gestora de recursos Patria Investimentos anunciou nesta segunda-feira (31) que concluiu a captação de um fundo de R$ 10 bilhões voltado para áreas de infraestrutura como energia, logística e telecomunicação.

Segundo a Reuters, este é o quarto fundo de infraestrutura do Pátria e o maior até agora, quase dobrando o valor levantado há cinco anos no último fundo, disse a empresa.

Já o vultuoso fundo recém-levantado do Patria, na qual a gestora Blackstone tem participação de 40%, ressalta como os investidores têm interesse neste setor na maior economia da América Latina.

O governo brasileiro estima que o país precise de R$ 600 bilhões para expandir e universalizar os serviços de água e esgoto.

Patria levanta fundo de R$ 10 bi para infraestrutura na América Latina

Otavio Castello Branco

Cofundador e sócio do Patria, Otavio Castello Branco disse que “apesar da pandemia do coronavírus, vimos que muitos investidores entenderam quantas oportunidades existem em infraestrutura na região”.

Com as taxas de juros de referência do Brasil atingindo a mínima recorde de 2%, fazendo com que os indivíduos deixem os títulos do governo e busquem retornos mais altos em outros lugares, os investidores domésticos responderam por 25% da captação do fundo, um patamar inédito para o Patria.

Três ativos

Embora a captação do fundo tenha acabado de ser concluída nesta semana, o Patria já investiu cerca de 40% dos recursos em três ativos desde o fim de 2019: na empresa de energia solar e eólica Essentia, na concessão rodoviária Eixo-SP e em uma empresa de torres ainda sem nome.

À Reuters, o sócio Felipe Pinto disse que o fundo pode investir ainda mais nesses setores, enquanto busca ativos em geração de energia a gás, telecomunicações e saneamento.

Ele frisou que embora o Pátria já queira investir no setor de água e saneamento há algum tempo, a falta de uma regulamentação mais robusta impediu os aportes.

Lei de saneamento

Uma nova lei de saneamento torna o setor mais atraente agora, segundo Pinto.

No mês passado, o presidente Jair Bolsonaro sancionou o marco regulatório do saneamento básico, que deve abrir caminho para o aumento da presença da iniciativa privada sobre o setor que hoje depende praticamente de entes estatais.

Quase 80% dos recursos do fundo provavelmente serão investidos no Brasil. Pinto disse que a Colômbia e o Chile também são países nos quais o Patria deve alocar recursos.

A fase de investimento do fundo deve ser concluída até 2021, enquanto o desinvestimento total pode levar até 12 anos.

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