Na manhã desta terça-feira (8), as ações da Oi (OIBR3 e OIBR4) operaram em alta de quase 10% após a empresa ter aceitado os R$ 16,5 bilhões da TIM, VIVO e Claro.

Ainda há a possibilidade de uma oferta maior, que pode inflar o valor de venda.

Mas, de qualquer maneira, agora o consórcio tem prioridade para cobrir qualquer nova proposta, o que pode inibir outros players de tentar comprar a unidade de telefonia móvel.

O processo deverá ter um desfecho ainda em 2020. Além disso, a Assembleia Geral de Credores (AGC), realizada nesta terça-feira (8), deverá definir o fatiamento da empresa em 5 unidades, sendo que 4 delas deverão ser vendidas integralmente e uma última, a rede de fibra, poderá ter 51% do total repassada para um investidor que irá injetar dinheiro na companhia.

OI (OIBR3): ações disparam 25% e atingem maior cotação em quase dois anos

OIBR3: maiores cases

A OI é um dos maiores cases de 2020, não apenas do ponto de vista de rentabilidade, mas do ponto de vista de ensinamentos.

Uma ação negligenciada por muitos investidores e analistas, devido ao seu altíssimo risco, mas que vem se mostrando valente em sua recuperação.

Todo este movimento poderia ter ocorrido no ano passado ou retrasado, mas para isso, precisaria ter um bom “general”, principalmente para ter a coragem de vender a principal e mais conhecida unidade de negócio da empresa, a telefonia móvel.

O CEO

Isso só foi possível com entrada do Rodrigo Abreu, o CEO da OI que está colocando em prática o audacioso plano de reduzir a empresa em uma ou duas unidades de negócio extremamente rentáveis e com alto potencial de crescimento.

Por ser um país continental, o Brasil tem um déficit muito grande de internet via fibra. As grandes operadoras priorizaram as áreas com grande densidade de pessoas.

O que todo investidor precisa aprender e foi algo que eu aprendi em 2020 com o Eduardo Mestieri, sócio e analista da gestora Alaska, é que, muitas vezes, olhamos somente os números e esquecemos de observar os executivos que estão à frente das companhias.

Os profissionais

Os profissionais deveriam ser o primeiro fator na tomada de decisão. Por exemplo, apesar de a Luisa Trajano ser a alma da empresa, a Magalu não seria a mesma sem Fred Trajano. E ponto final.

Hoje, nas empresas que invisto, procuro entender quem são e como pensam os executivos à frente das companhias e como eles pensam.

A internet disponibiliza uma série de entrevistas e históricos em que é possível traçar um cenário mais confiável.

Por exemplo, existem empresas de capital aberto em que executivos envolvidos em crimes ocupam cargos de direção ou no conselho.

É preciso analisar se este tipo de postura é interessante para a empresa e, consequentemente, para o investidor.

IRB

Um outro case interessante é o do IRB, que perdeu grande parte dos seus fundamentos e a credibilidade no mercado devido à corrupção e á manipulação de dados.

A postura contundente do novo CEO, Antônio Cássio dos Santos, durante a demonstração de resultados do primeiro trimestre, diz muito sobre o executivo, mesmo não sendo o único fator determinante para a recuperação da empresa.

Em vez de criticar quem fez as denúncias, como fizeram no começo do ano, o executivo fez o contrário. Elogiou quem denunciou e usou de palavras duras para falar sobre os ex-funcionários que roubaram a empresa.

O grande ensinamento da OI é: Jamais deixe de olhar a fundo as pessoas que estão no comando da empresa.

Veja OIBR3 na Bolsa:

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