Exportações sobem 0,9% em março

Guerra entre a Rússia e a Ucrânia reflete no desempenho mostra o ICOMEX

Os choques de oferta causados pela pandemia da COVID 19 e mais a guerra entre a Rússia e a Ucrânia estão levando a um aumento da taxa de inflação mundial. No setor externo brasileiro, esses choques se fazem presente, principalmente nas importações, embora os preços das exportações também registrem aumentos de dois dígitos.

O ICOMEX, divulgado hoje pela FGV/Ibre mostrou que entre março de 2021 e 2022, as exportações subiram, em valor, 19,4% e as importações, 21,5%. O volume vendido subiu 0,9% e as compras caíram 7,0%. O aumento do valor é, portanto, explicado pelo comportamento dos preços: uma elevação de 17,8% nas exportações e 30,3% nas importações.

O mesmo resultado ocorreu na comparação internanual dos primeiros trimestres de 2021 e 2022. Em volume, as exportações subiram 9,5% e as importações caíram 4,3%. Os preços aumentaram 32,8% nas importações e 18,2% nas exportações.

Vendas de Commodities

As exportações de commodities, em março, subiram, em valor, 15,8% e as de não commodities 28,0%. A maior variação das não commodities é explicada pelo aumento no volume (8,0%) e nos preços (18,1%). As vendas, em volume, das commodities recuaram em 2,7%, mas os preços aumentaram com percentuais similares aos das não commodities, 18,3%. Quando se observa o resultado do trimestre, porém, os percentuais do aumento do volume e dos preços das commodities e não commodities estão próximos. No caso do volume, o aumento das commodities foi de 9,6% e das não commodities de 9,4%. E nos preços, os percentuais foram de 18,4% e 17,3% para as commodities e as não commodities.

Compras de Commodities

O aumento dos preços importados é liderado pelo grupo das commodities, que, em março, cresceu 52,9% em relação a março de 2021. No caso das não commodities o aumento foi de 28,0%. Em volume, as compras de não commodities recuaram (8,9%) e das commodities aumentaram em 25,2%. Na comparação entre os primeiros trimestres de 2021 e 2022 mostra que o mesmo comportamento é observado com uma elevação de 53,1% nos preços das commodities e de 30,8% das não commodities. Em volume, as não commodities registraram queda de 5,7% e as commodities, aumento de 18,9%.

Petróleo e Derivados

Destacamos o comportamento das exportações e importações de petróleo e derivados. O Brasil é exportador líquido desse grupo de commodities e, no primeiro trimestre, registrou saldo positivo de US$ 3,7 bilhões, o que representou 31% do superávit global da balança brasileira. Não obstante o crescimento em volume e preços das exportações desse grupo de commodities, as variações nos preços das importações, 71,1%, e no volume, 25,0%, superaram as das exportações. No mês de março, o aumento dos preços importados desacelerou em relação às comparações interanuais entre 2021 e 2022 dos meses anteriores, que foram de 72,4% (janeiro), 89,7% (fevereiro) e 53,9%(março). A valorização do real pode ajudar, mas o fator principal é o efeito da Guerra entre a Rússia e a Ucrânia e não se espera movimentos de deflação nos preços do petróleo.

Liderança da Agropecuária

A agropecuária liderou o aumento, em valor, das exportações (32,1%), seguida da indústria de transformação (28,2%), entre março de 2021 e 2022, enquanto a indústria extrativa registrou queda de 6,7%. Na comparação entre o primeiro trimestre do ano de 2021 e o de 2022, a agropecuária confirmou a sua liderança, com aumento, em valor, de 72,6%, seguida da transformação (33,6%) e da extrativa (0,2%).

Os índices de volume, em março, mostraram recuo em relação a março de 2021 para a agropecuária (2,5%) e extrativa (8,2%) e aumento para a transformação (6,9%). Em termos de preços, porém, todas as variações são positivas, mas a agropecuária saiu na frente com aumento de 36,9%, seguida da transformação 19,5% e da extrativa 1,0%. Na indústria extrativa, o óleo bruto de petróleo explicou 48,8% das suas exportações, seguido do minério de ferro, com participação de 44,1%. O volume exportado de petróleo caiu e volume e preços recuaram para as exportações de minério de ferro, o que explica o pior desempenho desse setor em comparação com os outros.

Nas importações, a liderança vai para a indústria extrativa em termos de preços (81,9%) e volume (11,2%), pois os volumes importados da agropecuária e da indústria de transformação caíram em relação a março de 2021. A pauta de importações da extrativa está concentrada em produtos do setor de energia, como explicam as participações de três produtos no total da importações do setor: petróleo (42,3%); gás natural (30.7%); e, carvão (21,4%). Todos os três registraram aumento no preço médio US$/tonelada, segundo os dados da Secretaria de Comércio Exterior: 43,5% (petróleo); 57,7% (gás natural); e, 199% (carvão). No volume medido por quilograma, as importações de petróleo aumentaram 114% e as de gás natural e carvão caíram, respectivamente, 15,3% e 31,7%.

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