Selic a 12,75%: analistas avaliam a decisão do BCB

Salto em 1% fica entre os pontos de atenção

A decisão do Comitê de Política Monetária – Copom, Banco Central do Brasil, em elevar a taxa de juros de 11,75% para 12,75% ao ano está repercutindo entre os analistas do mercado financeiro.

As divergências ocorrem, mas todos são unânimes em considerar a alta da inflação como um dos pontos negativos para a retomada do crescimento econômico.

O economista-chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti, faz uma comparativo sobre a decisão. “O Banco Central indicava encerrar o ciclo do aperto monetário em maio, porém o IPCA de março surpreendeu o próprio Campos Neto [presidente do BCB]. O comunicado do Copom de ontem nos passa uma premissa de que teremos um novo aumento em junho. Na nossa avaliação, essas alterações não justificariam inicialmente uma mudança na decisão do Copom de 4 de maio, porém ficou uma porta aberta para uma última alta adicional da taxa Selic na reunião de junho, por conta da pressão inflacionária”,

A analista de Investimentos da Toro, Paloma Brum, destacou a questão fiscal, bem como a inflação. “A questão fiscal continua no radar e a inflação ao consumidor segue persistente, de forma dispersa, tanto em itens mais voláteis, como alimentos e energia, como naqueles menos voláteis, o que aponta para um IPCA acima da meta, chegando a 7,3% neste ano e a 3,4% em 2023. por outro lado, uma descompressão da inflação pode vir de uma reversão parcial nos preços das commodities mundiais e de uma desaceleração da atividade econômica acima do esperado, o que, ao mesmo tempo, demanda cautela na avaliação de riscos por parte dos dirigentes do BCB”, avaliou.

João Maurício Lemos Rosal, economista-chefe da Terra Investimentos aponta para o discurso do Copom. ” Concordamos com a visão de que o nível de incerteza recomenda evitar sinalizações contundentes quanto ao fim e aos ajustes adicionais do ciclo monetário. Como notado em outras ocasiões, esperávamos que o Copom promovesse essa modificação em seu discurso, a fim de evitar correções recorrentes em suas sinalizações que podem comprometer seu canal de comunicação”, explicou emendando: “quanto aos próximos passos, mantemos nosso call de um ajuste de 50bps na taxa Selic na próxima reunião, quando esperamos que o juro atinja seu nível terminal. É verdade que o BCB não condicionou o fim do ciclo à sua próxima reunião, mas também não fez nenhuma afirmação contrária a isso. Portanto, a preços de hoje e face às alternativas que se colocam, entendemos que as condições favorecem mais o nosso call do que a alternativa de aumentos adicionais após a reunião de junho.

Já o economista da MAG Investimentos, Felipe Rodrigo de Oliveira, aponta o cenário de juros no Brasil e nos Estados Unidos, mas avalia também os pontos positivos para os investimentos.

“Mesmo que os juros dos EUA subam, a diferença de juros entre o Brasil e o de lá ainda é grande, mais de 10 pontos percentuais, o que ajudará o dólar a ficar perto de R$ 5,00 em vez de R$ 6,00. Com isso, os investimentos mais recomendados nesse ambiente são os títulos de renda pós-fixada, ou seja, os títulos que acompanham a variação da Selic, com algumas opções oferecendo retorno de mais de 1% ao mês, dependendo do prazo da aplicação, além de títulos indexados à inflação, dado o cenário de preços elevados.”

Felipe também recomenda investimentos em crédito privado de baixo risco e fundos de hedge. “Eles atuam em vários mercados no Brasil e no exterior, diversificando seus portfólios em produtos normalmente não disponíveis para investidores pessoas físicas.”

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