Há quase um mês o dólar comercial não é negociado abaixo de R$ 5,50, devido, entre outros fatores, à proximidade das eleições presidenciais nos Estados Unidos e às incertezas sobre a situação fiscal da economia brasileira. Para o fim do ano, analistas ouvidos pelo boletim Focus, do Banco Central, estimam a cotação a R$ 5,30.

De acordo com O Globo, com isso aplicações em dólar têm dado retornos expressivos, enquanto fundos de ações e renda fixa mostram desempenho fraco, ou até negativo. Ainda assim, especialistas recomendam cautela na hora de incluir investimentos cambiais na carteira, já que têm elevada volatilidade.

Agenda fiscal dos EUA faz dólar operar em queda

Anbima

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), de janeiro até a segunda semana de outubro, os fundos cambiais registram rentabilidade de 39,4%.

Do outro lado, os fundos de renda fixa simples (que investem em títulos públicos) sobem 1,43%, enquanto os fundos de ações livres (quando o gestor escolhe os papéis da carteira) caem 7%.

Garantir proteção

Conforme o jornal, a principal indicação do dólar na carteira do investidor, ressaltam analistas, é garantir proteção contra perdas muito bruscas quando há turbulência no mercado — um cenário marcante em 2020.

Para efeito de comparação, o dólar comercial acumula valorização de 40,2% este ano. Já o Ibovespa, índice de referência da B3, ainda opera com perdas de 17%.

Dólar: ativo

Mas é preciso ter em mente que, por ser um ativo com oscilações diárias, não é possível prever patamares para o dólar. No caso de uma queda brusca na cotação, os ganhos acumulados podem cair ou até ser anulados, a depender das variações.

“Até o fim do ano, passada a eleição americana especialmente, é provável que o dólar se acomode em patamares mais baixos. Se o investidor aplicar de forma agressiva em moeda, pode perder dinheiro. A sugestão é ir colocando esse investimento na carteira de forma gradual — pondera Sylvio Fleury, diretor de Relações com o Mercado da Ativa Investimentos.

Segundo Felipe Dexheimer, coordenador de Alocação da XP, para uma pessoa de perfil moderado, que tenha, por exemplo, 20% da carteira em ações, é recomendável que entre 4% e 5% dessa fatia em renda variável fiquem em ativos com exposição ao dólar.

Os fundos cambiais são atraentes para os investidores porque têm aporte inicial pequeno e taxas de administração baixas. Na XP, por exemplo, a aplicação mínima é de R$ 100, com taxa de administração de 0,5% ao ano. Atualmente, são 12 mil cotistas.

Compartilhe

Categorias do artigo

  • Relacionados: