Percepção de risco em relação ao país está ruim por conta do Renda Cidadã, diz economista

A percepção de risco em relação ao Brasil já não estava bem antes do programa social Renda Cidadã, o que colocava em xeque o ambiente de negócios no país.

Entretanto, agora com o movimento recente do governo por conta do programa, ficou muito pior, segundo Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos.

De acordo com Silveira, o Renda Cidadã não caiu bem para o mercado porque os precatórios são dívidas que o governo já precisava pagar há muito tempo.

“Antes, eles já tinham solicitado um pedido para adiar essas dívidas, mas a justiça não autorizou. Agora, querem adiar novamente para arcar com os custos do programa”, disse.

E acrescentou: “quem vai querer emprestar dinheiro ao Brasil se o governo, em que num nível de relação com a justiça, renega seus próprios pagamentos? Assim, apenas aumenta a percepção de risco, fazendo com que os descontos dos preços dos ativos aumentem e, consequentemente, despenquem.”

Caso isso ocorra, explicou, a bolsa tende a recuar, o real a cair, o dólar a subir e a taxa de juris aumentar.

Entenda o caso

Na última segunda-feira (28), o governo anunciou a criação de um novo programa social, o Renda Cidadã.

Segundo o presidente Jair Bolsonaro, o projeto será implementado no lugar do Auxílio Emergencial e do Bolsa Família, sendo financiado com o redirecionamento dos pagamentos de precatórios e do Funded (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica).

No entanto, após o comunicado, o mercado financeiro não reagiu bem e a bolsa de valores brasileira voltou a cair.

O Brasil tem, atualmente, 20 milhões de brasileiros que dependem dos benefícios do auxílio temporário e terão esse apoio retirado no começo de 2021.

Incoerência

Para o economista, para um país que quer crescer, fazer isso com verba de educação é, no mínimo, incoerente.

“Inclusive, está no programa do governo e do Paulo Guedes [ministro da Economia] ter a educação como um elemento importante para a redução do atraso. Portanto, isso gera uma frustração no mercado também”, disse.

Conforme Silveira, trata-se de um movimento político por conta da eleição presidencial, prevista para 2022, mas que cria um mal-estar econômico e social. Também jurídico.

“Muita gente tem chamado isso de pedalada fiscal. De um lado, eles querem usar uma dívida não paga para arcar com novos custos, mas, deixando de pagar, estão dando calote duplo, e, de outro, vão tirar verba da educação, algo fundamental para o crescimento do país”, frisou.