Modal: Rejeição ao Governo Bolsonaro sobe pela 3ª semana

Crimes na Amazônia, prisão do ex-ministro Milton Ribeiro pesam na pesquisa

Os analistas do ModalMais/AP Exata divulgaram a Pesquisa Semanal com os internautas para saber qual a opinião o Governo de Jair Bolsonaro. A pesquisa foi realizada entre 20 de junho até essa sexta-feira 24/06.

A inteligência Artificial da AP Exata, que contabiliza os números, recebeu um novo treinamento esta semana, baseado na média das últimas pesquisas eleitorais.

Popularidade do Governo ….

A semana finaliza com uma tendência de queda na aprovação do governo. A rejeição aumentou pela terceira semana seguida, desta vez em 0,8 p.p. O índice regular caiu 0,1 p.p. e a avaliação positiva caiu 0,7 p.p. As sucessivas crises foram os fatores principais na derrubada dos índices.

Somou-se a crise da Petrobras com a crise dos assassinatos na Amazônia e com a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro.

Milton Ribeiro e CPI do MEC ……..

A prisão de Milton Ribeiro e pastores evangélicos ligados ao Planalto, na investigação sobre alegados pedidos de propina para beneficiar municípios com verbas do FNDE, provocou uma crise intensa na imagem do governo e do presidente. As menções negativas a Bolsonaro chegaram a 70%, no Twitter, no dia da prisão do ex-ministro.

A militância governista foi capaz de reverter parte do impacto negativo com argumentos de que a prisão foi “mais um golpe” do Judiciário para prejudicar o governo. Esta tese encontrou respaldo depois que um habeas corpus resultou na libertação de Ribeiro e os pastores, recuperando as menções positivas ao PR em 5%, na quinta-feira.

A live na qual Bolsonaro reforça a tese de que o juiz agiria para prejudicar o governo serviu como narrativa para toda militância bolsonarista.

Mas internautas comuns acreditam que novos fatos poderão surgir e muitos interpretaram as falas de Bolsonaro como uma tentativa de relativizar atos de corrupção eventualmente praticados por Milton Ribeiro.

Neste cenário, as menções sobre “Corrupção”, nos posts que falam do PR, atingiram os níveis mais altos do ano. Mas a tendência é de que o assunto perca relevância, caso não apareçam novas denúncias. Na quarta-feira, as menções ao tema chegaram a 43%, na quinta caíram para 32,4% e nesta sexta estão em 23,6%.

As menções negativas dentro do assunto “Corrupção” passaram de 72% na quarta, para 67% nesta sexta. Ou seja, há uma melhora, mas a crise ainda tem potencial para atrapalhar uma das principais bandeiras do governo.

Aumento dos auxílios ……

O anúncio de um auxílio para os caminhoneiros, no valor de R$ 1.000, gerou queixas de internautas comuns.

Para muitos, é injusto que apenas uma categoria seja beneficiada com o apoio, uma vez que muitos outros profissionais dependem dos veículos automotivos para trabalhar.

Os auxílios têm sido uma tentativa do governo de atenuar os problemas causados pela inflação e de evitar mais desgastes ao PR, a 100 dias das eleições.

Além do “pix dos caminhoneiros” a proposta de aumento do auxílio emergencial de R$ 400 para R$ 600 também movimentou as redes, dividindo opiniões.

A oposição focou as críticas no aspecto eleitoreiro dos auxílios, acusando o governo de buscar a reeleição a todo o custo, deixando um rombo bilionário ao erário público. Estas críticas não vingam entre internautas comuns, que veem a fome e miséria alastrar no país e consideram que o governo deve tomar decisões que ajudem de imediato as famílias mais pobres.

CPIs da Petrobras e do MEC ……

A pressão da oposição nas redes resultou na obtenção das assinaturas necessárias para instalar a CPI do MEC no Senado. Rodrigo Pacheco já se manifestou contra, mas opositores acreditam que o STF reverterá a decisão, como aconteceu com a CPI da Covid. Governistas veem o pedido como mais um episódio de perseguição ao presidente. O tema deve crescer ao longo da próxima semana.

A ideia de criar uma CPI para investigar a Petrobras foi um dos temas mais falados da semana. A proposta conseguiu convencer grande parte dos internautas, que depositaram confiança na estratégia do presidente para forçar a petrolífera a baixar os preços.

No entanto, o tema acabou perdendo relevância, após a renúncia do presidente José Mauro Coelho. Mesmo a oposição, que chegou a aventar a possibilidade de também pedir a CPI, acabou por deixar a ideia de lado. Nas redes, muitos comentários previam que os trabalhos da comissão chegariam até as interferências do PT na empresa, nos governos Lula e Dilma.

Pauta de costumes……

O caso de uma menina de 11 anos que engravidou em decorrência de estupro se tornou uma discussão ideológica nas redes.

A juíza responsável pelo caso foi acusada de atrasar o procedimento de interrupção da gravidez. Opositores procuraram associar o caso ao governo e ao presidente por vários dias, sem sucesso.

O cenário mudou quando Bolsonaro declarou o aborto como “inadmissível”. Oscríticos do presidente conseguiram, por fim, acusá-lo de querer submeter a Justiça e os Direitos Humanos a uma pauta de costumes conservadora.

O tema “Saúde” se tornou o mais citado em posts que mencionam o presidente. 25% do total nesta sexta-feira são sobre este assunto, o que representa um aumento de 252,6% desde ontem. 77% delas foram negativas e 23% foram positivas.

O que afetou mais a imagem de Bolsonaro não foi a crítica ao aborto, mas a ideia que vem sendo propagada pela oposição de que ele é insensível. No caso específico, a esquerda disse que o PR não compadeceu do sofrimento da mãe, uma menina de 11 anos.

Após a escalada de críticas, Bolsonaro foi às redes afirmar que a mãe e o bebê são vítimas nesse caso, mas não conseguiu reverter as críticas de que não compadece com o sofrimento alheio.

Pesquisa Datafolha…..

A pesquisa DataFolha era aguardada com expectativa por petistas, que pressentiam números confirmando um distanciamento ainda maior entre Lula e Bolsonaro. Apesar da vantagem expressiva de Lula, os dados não confirmaram o crescimento exponencial do petista, aguardado pela sua militância. Ainda assim, a pesquisa foi comemorada pela esquerda, pela possibilidade de vitória no 1o turno, ainda que apertada.

Governistas descredibilizaram institutos de pesquisa, em especial o DataFolha, que consideram ser de oposição. Muitos seguiram publicando vídeos do PR sendo ovacionado nas ruas e citando o “Datapovo”, como termômetro eleitoral.

A performance de Simone Tebet e Ciro Gomes nas pesquisas também foi alvo de comentários. A maioria dos internautas acredita que a polarização entre Lula e Bolsonaro não será quebrada. Petistas voltaram a pressionar ciristas pelo voto útil em Lula.

Polaridade de sentimentos:

Depois de uma recuperação da imagem do presidente, o índice voltou a cair nesta sexta-feira. Os fatores que contribuíram para as menções negativas foram a crise no MEC e a fala do presidente sobre o aborto da menina de 11 anos.

Polaridade 5 dias:

O índice de menções negativas a Bolsonaro caiu para 29%, o valor mais baixo desde 24 de fevereiro de 2022, data em que se iniciou a guerra na Ucrânia, uma semana após o PR ter se encontrado com Wladimir Putin, em Moscou.

Emoções 5 dias:

As emoções expressas pelos internautas acompanharam a tendência negativa das menções. A confiança chegou a 11%, muito abaixo das médias mensais que oscilam entre 14% e 15%. Medo e tristeza também apresentam índices altos.

Menções aos candidatos

As menções aos candidatos, no Twitter, confirmam o crescimento da polarização política. Lula e Bolsonaro são tema de 93,5% do total de menções aos presidenciáveis. Bolsonaro finaliza a semana com um volume maior de menções, reflexo do protagonismo dos polêmicos casos envolvendo o governo nos últimos dias.

Jair Bolsonaro, 54,6%; Lula, com 38,7%; Ciro Gomes, 5,3%; e Simone Tebet, 1,3%.

Metodologia

A AP Exata trabalha com uma tecnologia de análise de sentimentos, baseada em redes neurais artificiais, e no conceito de emoções da psicologia evolutiva.

No caso da pesquisa de popularidade do Governo, também é medida por A.I., mas com base na média das principais pesquisas brasileiras. As análises contemplam informações geolocalizadas, em 145 cidades de todos os estados brasileiros.

O trabalho AP Exata utiliza dados abertos, de perfis públicos. Dados de usuários não são armazenados em nossa base, conforme orienta a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

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