A pandemia do coronavírus impactou diversos setores da economia e a logística internacional não escapou desse cenário. Nos primeiros meses de pico da contaminação, a paralisação do comércio fez com que a Importação diminuísse seu ritmo expressivamente. Por isso, o primeiro semestre do ano trouxe um baque para muitas empresas que atuam no comércio exterior.

De acordo com Helmuth Hofstatter, da LogComex, startup de big data, inteligência e automação para logística internacional, a segunda metade do ano chegou com pouco mais de esperança e foi possível ver uma melhora nas previsões.

“Houve a reabertura do comércio e, em conjunto, a notícia do início do mês de outubro de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2020, que passou de uma queda de 9,1%, a previsão passou a apresentar uma retração de 5,8%. Já para 2021, a previsão é de que haja um crescimento de 2,8%. Mesmo assim, o panorama geral ainda pede cautela e muito planejamento estratégico em 2021”, disse.

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Números

Números levantados pela equipe da LogComex em sua plataforma de inteligência mostraram que, em comparação ao mesmo período do ano anterior, a importação movimentou 140 bilhões de dólares em valor FOB — esse valor representa 18% a menos que nos 10 primeiros meses de 2019.

“A Importação é, praticamente, um reflexo da produção interna do país. Portanto, com o impacto negativo da pandemia nas atividades produtivas, a queda nas importações é inevitável”, destacou.

Também em levantamento realizado pela equipe da LogComex, foram analisados os números de Importação de cinco setores: Automotivo; Alimentício; Químico; Têxtil; Eletrônico.

 Setores

Dos cinco setores estudados, os que apresentaram maior queda no valor FOB acumulado de 2019 para 2020 foram o automotivo, com queda 33%; e o têxtil, com queda de 23%. Para a indústria automobilística, os números negativos se devem à grande paralisação da atividade produtiva no Brasil nos primeiros meses de propagação da Covid-19.

O cenário para a indústria automotiva é repleto de desafios. O volume de produção aumentou nos últimos meses, mas os impactos econômicos foram muito acentuados — por isso, o ritmo de crescimento está lento e deve se manter assim por um tempo.

Têxtil

Já na indústria têxtil, que também sentiu a crise com mais força, mais de 70 mil vagas de emprego foram fechadas segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Esse panorama também se explica pela paralisação das linhas produtivas no início da pandemia. O número exemplifica de maneira triste e clara a crise enfrentada pelas indústrias.

Mercado

Conforme Hofstatter, prever o futuro com 100% de assertividade, infelizmente, não é uma realidade possível quando se trata de negócios. Porém, é possível ter mais segurança ao se tomar decisões estratégicas por meio dos dados. Rever e repensar os planos não é uma tarefa que deve deixar de existir, mas a diminuição de riscos diante de crises como a que se enfrenta atualmente é possível com a análise de mercado.

“A pandemia do coronavírus chegou deixando explícita essa necessidade de maneira cruel para muitas empresas, que atualmente enfrentam as consequências de não terem se preocupado com o estudo de informações valiosas para o negócio”, frisou.

Para o especialista, a tomada de decisões deve estar sempre embasada em informações atualizadas do mercado.

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