ANÁLISE: Copom e a Selic

Taxa está agora em 13,75% com mais avanços na próxima reunião

O Copom do Banco Central (BC) decidiu elevar a Selic para 13,75% a.a. A alta de hoje, de 0,5 p.p., é a 12a consecutiva, algo inédito na história do Comitê. Com o patamar alcançado, o país volta a sua maior taxa de juro, desde 2017.

De fato, a maior interrogação desse encontro não era a magnitude da elevação em si. A grande expectativa do mercado recaía sobre o comunicado, onde a diretoria do BC normalmente vem fornecendo indicações dos seus próximos passos, o que nos parece um posicionamento bastante adequado para o momento desafiador.

Como é sabido, entre a tomada de decisão da alta de juros e seu impacto sobre o dia a dia da economia, existe um interstício temporal. Acreditamos que este verdadeiro choque de juros imposto pelo BC no último ano irá ganhar ainda mais efetividade em breve, com efeito positivo sobre as expectativas inflacionárias.

Nesse sentido, como estamos trabalhando com uma política monetária bastante restritiva (abaixo), concordamos com a avaliação do Comitê, quando sugere, em seu comunicado, que o atual ciclo de aperto está caminhando para seu desfecho, ao sugerir que “avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião”.

Nossa leitura é de que, apesar de deixar a porta entreaberta para nova elevação de 0,25 p.p., a probabilidade maior é que a taxa fique nesses 13,75% por longo tempo. Acreditamos ser prudente aguardar e avaliar como esse forte movimento irá afetar a economia, pelos seus potenciais efeitos desinflacionários, bem como pela ancoragem das expectativas à meta, dentro do horizonte relevante. Não se pode dar de ombros, igualmente, para as consequências sobre o ambiente de negócios de uma taxa de juro real (ex-ante) de 8%, caso o IPCA recue para níveis pouco acima de 5%, em 2023, como apontou o último boletim Focus.

Cabe ressaltar, por oportuno, que em anos eleitorais as pressões por maiores gastos são comuns, caso recente da PEC dos Benefícios, o que denota uma fragilidade fiscal que acaba afetando para pior as expectativas, daí o cuidado do Copom com essa temática ser recorrente.

Por fim, a reversão da política monetária acomodatícia do FED e do BCE deverá trazer um ambiente recessivo global, o que é potencialmente desinflacionário para as principais economias, podendo, inclusive, impactar para baixo os índices de preços de economias emergentes, como a nossa.

Alexandre Espirito Santo – Economista-Chefe da Órama Investimentos

Elisa Andrade – Analista de Macroeconomia da Órama Investimentos

Acompanhe mais informações no nosso blog

você pode gostar também

Comentários estão fechados.