Quais ações podem sentir o efeito Milei?

Chegada dele à presidência oferece ao país uma guinada em um modelo econômico

Quais ações podem sentir o efeito Milei? No dia 19 de novembro o povo argentino foi às urnas para, em segundo turno, eleger aquele que viria a ser o Presidente da República. O candidato Javier Milei obteve 55,69% dos votos contra os 44,3% de Sergio Massa. O vencedor assumirá na primeira quinzena de dezembro deste ano. Ele é, agora, o 12º presidente do país vizinho em 40 anos.

A vitória do candidato liberal é vista de forma positiva pelo mercado financeiro brasileiro. “A chegada dele à presidência oferece ao país uma guinada em um modelo econômico e político que não estava funcionando”, afirma o economista Volnei Eyng, CEO da Multiplike, para quem a boa expectativa sobre Milei não chega a ser suficiente, dado os imensos desafios que a Argentina tem pela frente.

“Em um país cuja inflação está em 140% ao ano, certamente alguma coisa está errada. A Argentina precisa de um choque e de um novo viés. Vale lembrar que, atualmente, tem um dos maiores risco-país do mundo, e isso encarece o custo do dinheiro”, explica, ressaltando que há especulações de mercado que apontam a probabilidade de 95% de o país não pagar o Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Vale mencionar que a Argentina tem vários títulos a vencer no curtíssimo prazo. O país sempre gastou mais do que arrecada, e isso indica um desarranjo na administração. Por lá, já ocorreram nove moratórias, sendo duas em 1827 e 1890, respectivamente, além de quatro no século passado e três neste século. “E olha que a gente não avançou nem um quarto do século e isso eleva o risco-país para incríveis 4.177 pontos. Então, o risco já parte de 41% de juros ao ano”, frisa.

Efeito Milei na B3

A expectativa do fator Milei sobre a Bolsa brasileira é positiva por parte do empresariado, justamente por entender que o perfil liberal, em termos econômicos, tem por premissa mais empresa e menos estado. Inclusive, ele já declarou a intenção de diminuir o número de ministérios e fechar algumas autarquias.

“Embora ele seja o oposto do que se vê hoje na Administração Federal brasileira, em termos ideológicos, ninguém acredita que haverá qualquer problema no setor empresarial, pelo contrário, a expectativa é de que a parceria comercial entre os dois países aumente”, diz Eyng, lembrando que o país vizinho já foi o principal parceiro comercial do Brasil e hoje ocupa a terceira posição.

Vale lembrar que em 2019, por conta das eleições daquele ano, algumas empresas foram afetadas, quando o candidato Mauricio Macri foi derrotado nas primárias. Ele era o nome do “mercado” e, ao perder, os bancos de investimentos soltaram relatório elencando empresas que sentiriam o impacto, na ocasião. Por enquanto, nenhuma corretora soltou relatório tratando disso, mas, indiretamente, a expectativa é que as empresas que sofreram “ontem”, possam “sorrir” hoje. São elas:

CVC (CVCB3); Marcopolo (POMO4); Mahle Metal Leve Fras-le (FRAS3); Randon (RAPT4); Marfrig (MRFG3); Minerva (BEEF3); Banco do Brasil (BBAS3); Usiminas (USIM5); Grupo Pão de Açúcar (PCAR3); Alpargatas (ALPA4); e Ambev (ABEV3).

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