Por que as pessoas têm medo de investir?

Temor vem depois de um investimento sem sucesso

Por que as pessoas têm tanto medo de investir? Algumas tiveram péssimas experiências no passado, receberam más indicações de investimentos ou acompanharam a triste história do parente ou amigo que aplicou em ações uma vez na vida e perdeu dinheiro.

Para superar o medo e virar a chave, nada melhor do que adquirir conhecimento! Investir não é um bicho de sete cabeças e existem pessoas capacitadas para ajudar! E o mais importante: saia o quanto antes do limbo do desconhecido e aprenda o básico. Não é preciso ser um especialista em investimentos para ser um bom investidor.

Veja algumas reflexões importantes de Fabio Louzada sobre o assunto

O parente ou amigo que sofreu no passado com maus investimentos:

No Brasil existe um histórico de pessoas que perderam dinheiro com maus investimentos. Na maioria dos casos, são exemplos de investidores que adquiriram ações da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR4) – e quem investiu nas duas perdeu dinheiro na crise de 2008 ou crise do subprime, originada nos Estados Unidos.

Isso gerou uma onda de receios na população, mas também, não é para menos. Quem saiu no prejuízo, tirou o dinheiro da bolsa e ainda disse para os outros não entrarem nessa que “é roubada”.

O dilema fundos imobiliários versus imóveis:

Os investidores mais antigos preferem comprar imóveis a investir em fundos imobiliários (FIIs), pois enxergam na aplicação predial um dos investimentos mais seguros e rentáveis do mercado. Na verdade, esse é um mito – muito pela questão de o imóvel ter um risco camuflado, o que não existe nas ações e no FII.

Os imóveis não têm o que chamamos de marcação a mercado, ou seja, uma avaliação diária do valor de venda do ativo, que leva em consideração, entre outros fatores, oferta e demanda. Só se tem uma estimativa de valor do seu imóvel no dia que resolve vender, o que muitas vezes acontece em situações de aperto financeiro.

Na emergência da venda, o preço é derrubado e o investidor sai perdendo. Por isso, vale mais a pena o fundo imobiliário, em que a gestão é feita por um profissional. O gestor é quem vai negociar com os locatários, analisar a região para saber se vale a pena comprar ou vender um imóvel, determinar o quão vantajoso é manter um imóvel no portfólio, analisar todo o terreno.

No FII a gestão é feita por um expert, alguém que tem todo um estudo e uma equipe por trás para garantir a rentabilidade do fundo. Sem falar que o investidor não tem gastos com Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), manutenção, condomínio ou cartório. Tudo está incluído na cota, sem riscos cegos e dor de cabeça no planejamento sucessório.

Viés técnico do mercado:

Os analistas não se esforçam para trazer uma linguagem mais clara sobre investimentos. Usam muitos termos em inglês e acabam distanciando o cliente, que acha a compreensão do tema muito difícil. Tem muito investidor que quando está com o profissional de investimentos fica só concordando com tudo, mas por dentro, não está entendendo nada.

Poupança, a cultura ruim dos brasileiros:

A palavra poupança é muito confundida com o produto poupança. É preciso educar a população, criar o senso de que o hábito de poupar é uma coisa, aplicar na poupança é outra. Lembre-se: o verbo poupar vem de você guardar dinheiro.

Sobre a caderneta de poupança, que tal substituir pelo hábito de investir em produtos financeiros mais rentáveis?

Falta de confiança no profissional de investimentos:

Confiança é a chave de tudo, principalmente quando precisamos do suporte de um profissional para tratar de assuntos que não dominamos. Por exemplo, quando você está doente, confia na orientação do seu médico, certo? No mercado de investimentos a lógica é a mesma. O problema é que muitas pessoas tiveram experiências desanimadoras no passado, principalmente com a figura do gerente do banco – afinal, ele está do lado do banco ou do correntista?

A boa notícia é que o mercado está mudando. Os bancos estão atualizando suas políticas para melhor atender o correntista – cada vez mais bem-informado sobre finanças – de forma transparente e com indicações assertivas de investimentos, baseadas no perfil do investidor e não nas metas estabelecidas pela instituição.

Achar que para investir tem que ser expert em investimentos:

Hoje em dia existe um mito de que é preciso ensinar todo mundo a investir, mas tem muita gente que não quer saber disso, só quer delegar a gestão dos investimentos para um profissional. E é aqui, nesse ponto, que costuma bater a insegurança.

Muitas pessoas não querem investir, mas sim querem que o profissional invista por eles. Muitas pessoas não buscam ser especialistas em investimentos, querem encontrar alguém para confiar.

“Quando se vai ao médico, o objetivo não é saber como se dá a cura de todas as doenças, mas sim encontrar alguém que saiba qual é o melhor tratamento para mim. Porém, tenho o básico de conhecimento para avaliar o que me faz bem ou mal, para saber se o médico que está me atendendo é competente”, conclui Louzada.

Para ter tal nível de compreensão, não é preciso ser um expert, saber o básico é o ponto de partida para a construção de uma relação de confiança. Funciona na relação que você mantém com o seu médico e vai funcionar na relação que você terá com o seu profissional de investimentos.

Fábio Louzada é  economista, analista CNPI e fundador da Eu me banco.

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